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sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Uma longa queda

Título original: “A long way down” (2006)
Autor: Nick Hornby
Tradução: Antônio E. de Moura Filho
Editora: Rocco
Número de páginas: 301


Já faz um bom tempo que não falo sobre um livro aqui no blog. Acho que foi justamente sobre esse “Uma longa queda” que eu falei pela última vez, na ocasião do lançamento dele aqui no Brasil em Março. Pois bem, alguns meses se passaram desde que o comprei, mas somente agora tive tempo para ler.

Nick Hornby é um de meus escritores favoritos, numa lista não muito extensa já que não leio tantos livros assim. Onde mais poderia ter descoberto seu trabalho? Através do cinema, é claro. Depois de ter visto o filme “Alta Fidelidade” me interessei em ler seus livros.

Seus livros sempre falavam sobre o universo masculino nas figuras dos personagens principais. Em seu primeiro livro “A febre de bola”, que é uma espécie de biografia, ele fala sobre sua obsessão pelo time de futebol inglês Arsenal. O universo continua em “Alta Fidelidade” e também em “Um grande garoto”. Sua outra marca registrada são as referências pop.

Nesse novo trabalho é possível sentir um tom um pouco mais sério, a começar pelo tema principal da história que é o suicídio. O tema já tinha sido abordado em segundo plano em “Um grande garoto”. A idéia do livro surgiu de duas informações que surgiram por acaso. Uma é que em certas noites do ano o número de suicídios é maior. A outra é que as pessoas sempre se matam no mesmo lugar. Eis então que temos uma noite de ano novo no qual quatro pessoas com perfis totalmente diferente se encontram no topo de um prédio em Londres, todas elas com o mesmo objetivo: pular do alto do prédio e acabar com suas vidas. É assim que tudo começa.

O livro é dividido em monólogos dos quatro personagens principais, contando a história em cada momento sobre a perspectiva de cada um. Isso é interessante para irmos conhecendo aos poucos cada um e também para ir acompanhando o decorrer da trama a cada momento sobre o ponto de vista de um personagem diferente.

Martin é um apresentador de televisão que teve sua carreira abalada depois de se envolver num escândalo ao ser preso por ter feito sexo com uma menina de 15 anos. JJ é um músico americano frustrado que atualmente ganha a vida entregando pizza. Maureen é uma senhora solitária que dedica sua vida a cuidar de seu filho que se encontra em estado vegetativo. Jess é uma adolescente passional e transtornada em busca do seu namorado Chas. Cada com seu próprio motivo para se matar.

A partir dos diálogos e das situações vamos conhecendo um pouco mais sobre cada um deles. O que poderia acabar caindo para um lado totalmente dramático acaba indo mais para algo leve e irônico. Esse é o estilo de Hornby, construir diálogos e personagens com tamanha verossimilhança, ao ponto de torná-los comuns e de fácil identificação com os leitores.
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