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terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Beijos e Tiros

O cinema do Itaigara tem servido como uma espécie de cinema de arte, ou melhor, como um cinema meio alternativo. Em vez de exibir algum dos maiores lançamentos, ele exibe alguns filmes que só passariam no Circuito de Arte. Um exemplo disso é o filme “Beijos e Tiros” que está sendo exibido atualmente. Ele estreou lá no Brasil no ano passado e só agora ganha uma chance aqui em Salvador, talvez somente graças ao Itaigara.

Vamos ao filme que é mais importante. Shane Black faz sua estréia como diretor. Como tem sido tema aqui no blog, ele era roteirista. A diferença é que ele andava afastado do mundo do cinema. Seu primeiro roteiro foi do filme “Máquina Mortífera”, no qual ele ficou conhecido por ser um dos roteiristas mais bem pagos da história do cinema. Ele escreveu outros roteiros de filmes de ação como “O último Boy Scout” (com Bruce Willis) e “O último grande herói” (com Arnold Schwarzenegger). Sumido desde 1999, quando escreveu um filme chamado “A.W.O.L.” (acho que nem foi lançado no Brasil), ele agora volta a trabalhar e dessa vez além de roteirista, também como diretor.

O filme é uma comédia policial que parece uma mistura de dois outros filmes escritos por ele: “Máquina Mortífera” e “O último grande herói”. A referência ao primeiro vem pelo fato de ter uma dupla de protagonistas, dessa vez Robert Downey Jr. e Val Kilmer, e o segundo pelo fato de ter uma mistura de realidade com a ficção numa “crítica” a indústria de Hollywood. Claro que não irão faltar referências a outros filmes do gênero, o que pode até ser considerado algo tipo uma homenagem.

A trama conta a história de Harry Lockhart (Downey Jr.) um ladrão que durante uma fuga acaba entrando num teste para atores de um filme, acaba ganhando a vaga e se livra da polícia. Ele irá interpretar um detetive e Gay Perry (Val Kilmer) é contratado para ajudá-lo a treinar para o papel. Ele acaba se envolvendo numa investigação de assassinato de verdade, onde ele acaba fingindo ser um detetive de verdade para Harmony (a bela Michele Monaghan), uma amiga de infância dele.

O mais legal do filme com certeza são os diálogos, as piadas muito boas, além das situações mais absurdas vividas pelos personagens. Como é uma comédia policial, então a violência também está presente. Então tem piadas com cadáveres, mutilação e assassinatos. Outra coisa legal é o personagem Harry que também é o narrador do filme. Então para aqueles que na adolescência e infância adoravam esses tipos de filmes policiais, podem ir conferir pois é diversão garantida.

Agora vamos ver se Shane Black não desaparece novamente e segue com essa nova carreira de diretor e roteirista.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Syriana – A indústria do petróleo

Continuando o papo do texto anterior, roteiristas que viraram diretores. Agora sim é a vez de falar sobre Stephen Gaghan, diretor do filme “Syriana – A indústria do petróleo”.

Ele ficou conhecido por seu trabalho no roteiro de “Traffic”, do diretor Steven Sodendergh (um dos produtores executivos desse filme), que falava sobre o mundo das drogas. Apesar de ter sido baseada na minissérie britânica “Traffik”, ele tinha conhecimento sobre drogas por ser um ex-drogado, como revelou após receber o Oscar de melhor roteiro adaptado por esse trabalho.

Após esse reconhecimento, ele ganhou força e prestígio para realizar o seu próprio filme. Eis então que ele resolve fazer um trabalho independente e isento sobre o mundo da indústria do petróleo e suas influências na geopolítica mundial. Inspirado pelo livro “See no evil” do ex-agente da CIA Robert Baer, Stephen saiu pesquisando sobre o tema para escrever o roteiro do filme. Ele conseguiu conversar com pessoas desse mundo nos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. Pelo fato de não ser da imprensa e sim de Hollywoood, acabou facilitando a comunicação. Ele inclusive conseguiu entrevistar o líder espiritual do grupo radical Hezbollah chamado Sayyed Mohammed Hussein Fadlallah no Líbano, onde se deixou ser “sequestrado” por um carro na cidade de Beirute, sendo vendado para não saber onde estava indo. Isso inclusive acabou servindo de inspiração para uma cena.

A estrutura do filme lembra bastante a utilizada em Traffic. A trama é divida em histórias paralelas, cada uma mostrando um dos lados do mesmo tema. O lado dos produtores e importadores (parte financeira), o lado dos políticos e o lado “underground” onde todos se encontram. O objetivo é tentar mostrar como é todo o esquema. Isso sem ser muito profundo, isto é, fazer com que qualquer pessoa que não tenha tantos conhecimentos sobre o assunto possam entender, sem também tornar a história superficial. Um tom bastante parecido por exemplo com “O jardineiro fiel”. E ao mesmo tempo é uma história interessante, e apesar de ter muitos personagens e muitos detalhes, consegue manter o interesse durante todo o filme. Agora não é aconselhado ir assistir cansado ou com sono, perder a atenção pode custar perder algum detalhe para o entendimento da história.

O elenco conta com grandes nomes como Chris Cooper, Willian Hurt (que foi indicado ao Oscar desse ano pelo filme “Marcas da Violência”), Christohper Plummer e Matt Damon. Mas o grande destaque fica com George Clooney. Para viver o personagem do agente da CIA ele engordou quase vinte quilos, e acabou tendo problemas na coluna, além de ter sofrido um acidente batendo a cabeça durante a filmagem de uma cena. O esforço acabou sendo reconhecido, ganhou o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante e é o favorito na mesma categoria no Oscar. O filme também concorre a melhor roteiro original.

O termo syriana, apesar de não ser usado no filme, é usado pelos analistas de Oriente Médio para denominar um local fictício numa determinada região que contenha petróleo com fronteiras redesenhadas de acordo com os interesses ocidentais. Isto é, não importa o país (Irã, Arábia Saudita, Iraque) se tem petróleo em seu solo, tem syriana.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Crash – No Limite

O filme “Crash – No Limite” estreou aqui no Brasil no final de Outubro e ficou pouco tempo em cartaz. Depois da indicação ao Oscar de melhor filme, ele ganhou uma nova chance nos cinemas antes de sair em video. Foram ao todo seis indicações: roteiro original, trilha sonora, edição, direção (Paul Haggis), melhor ator coadjuvante (Matt Dillon), além de melhor filme.

Paul Haggis é roteirista e ficou conhecido por seu trabalho no filme “Menina de Ouro” e inclusive foi indicado ao Oscar. Essa é a sua estréia na direção. Alias, roteiristas que viram diretores não é nenhuma novidade. O diretor Stephen Gaghan do filme “Syriana” foi roteirista do filme “Traffic”, mas esse filme é papo para um próximo texto.

O filme conta a história de vários personagens que acabam se cruzando de alguma maneira. Uma fábula urbana que se passa em Los Angeles, mas que poderia se passar em qualquer cidade grande. Um dos personagens diz logo no início “as pessoas em Los Angeles passam na rua e não se falam, eventualmente elas acabam encontrando uma maneira de se esbarrar (ou crash, do título do filme)”. Na verdade o primeiro “crash” do filme é uma batida de carro. É mais ou menos esse o clima da trama. Um personagem pode ser um “malvado” em determinada situação, mas em outra ele é o “bonzinho”. É assim no mundo real, não é possível julgar as pessoas por determinadas ações isoladas. No meio desse caos urbano tem a violência, preconceito racial, desigualdade social, e muitos outros temas que são abordados.

Esse estilo de filme lembra muito o de outros cineastas como Robert Altman (Short Cuts – Cenas da Vida) e Paul Thomas Anderson (Magnólia). A diferença fica na abordagem dos personagens. Enquanto Altman e Anderson falam mais sobre as coincidências da vida, numa parte mais “filosófica”, Haggis mostra mais o lado humano, ou o quanto o ser humano é uma “desgraça”.

Além de um bom roteiro, o que torna esse filme mais interessante é o elenco. Várias estrelas e bons atores estão presentes. Alguns já reconhecidos por suas boas atuações como Don Cheadle, que foi indicado ao Oscar de melhor ator ano passado pelo filme “Hotel Ruanda”. Outros que tem talento, mas parecem não escolher muito bem os seus filmes, como Brendan Fraser. Já outros fizeram de tudo para conseguir uma vaguinha, o caso de Sandra Bullock. Completam o elenco Ryan Philippe, Thandie Newton e Jennifer Esposito.

Quem acabou ganhando maior destaque foi o ator Matt Dillon, que acabou sendo indicado ao Oscar de ator coadjuvante pelo seu papel. Inclusive devido ao fato do filme ter tantos personagens e nenhum necessariamente poder ser classificado como principal, a indicação acabou sendo como coadjuvante. Não sei se realmente ele poderia ser o grande destaque de atuação do filme, mas sim, sua atuação é muito boa. Ele andava meio em baixa e aceitando papéis em filmes como “Herbie um fusca turbinado”. Essa é sua primeira indicação ao prêmio e com certeza ajudou na revitalização de sua carreira.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Memórias de uma Gueixa

O filme “Memórias de uma Gueixa” causou polêmica antes mesmo de chegar as telas. Isso por causa do elenco, pois atrizes escolhidas para os papéis de gueixas não eram japonesas. Tudo bem, para nós ocidentais isso pode até ser irrelevante, mas não para os orientais. Os japoneses não gostaram nada desse fato, e também pela maneira como sua cultura é mostrada no filme. Para completar, o filme foi proibido recentemente de ser exibido na China devido a especulações de políticos do país preocupados com a reação popular com o fato de ter uma atriz chinesa no papel de uma gueixa japonesa. Apesar disso, nenhuma justificativa oficial foi dada pelas autoridades de lá.

Quem inicialmente iria dirigir seria Steven Spielberg, mas ele acabou abrindo mão do projeto, ficando apenas como produtor. Rob Marshall, diretor do filme “Chicago”, acabou sendo convocado para a direção. O roteiro foi baseado no livro de mesmo nome, adaptado para o cinema pelo mesmo autor do livro chamado Arthur Golden.

O elenco conta com alguns nomes já conhecidos como Ziyi Zhang e Michele Yeoh, ambas de “O tigre e o dragão” (a primeira é chinesa e a outra é malasiana), e também Ken Watanabe, que esteve em “O último samurai”.

A história fala sobre uma menina de olhos azuis que é vendida por seus pais para uma casa de gueixas. Ela acaba sendo treinada e se tornando uma das gueixas mais famosas da época (que se passa em 1929, pouco antes da segunda guerra mundial). Todo o processo de treinamento e preparação é mostrado. Além disso terá que enfrentar a rivalidade com outra gueixa e a atenção de seus clientes (dos quais ela não pode se apaixonar, segundo as regras). A trama lembra um pouco um conto de fadas, só que em versão japonesa.

A grande atração do filme por conta do seu visual. A reconstituição de época, os figurinos, as danças, tudo é muito bonito. Claro que saber um pouco mais sobre a cultura oriental, e principalmente sobre o mundo das gueixas que é cheio de mistérios e lendas é interessante. Mas fica impressão que tudo é feito de maneira meio superficial, afinal de contas foi um americano que escreveu a história, baseado nos relatos de uma gueixa de verdade chamada Mineko Iwasaki. Inclusive ela está processando o autor por ter tido sua “privacidade desrespeitada”.

A opção de fazer o filme em inglês pareceu ser a mais óbvia, afinal de contas o livro também foi feito nessa língua. E também para o mercado americano, que não aceita muito filmes em outras línguas com o uso de legenda. Isso acaba gerando um problema num determinado momento do filme, em que personagens americanos entram na história, e eles se comunicam com os japoneses sem problemas. Agora em que língua isso teria acontecido? Será que os americanos aprenderam japonês, ou os japoneses inglês? Bom, isso não fica claro na história. Tudo bem, isso pode parecer besteira, mas se tratando de um filme que prezou tanto pela reconstituição de época coisa e tal, esse detalhe acaba passando. Mas se bem que isso é capaz de ser problema mesmo do próprio livro, que foi relevado também no cinema.

O resultado é que o filme acaba valendo muito mais pela parte visual, do que da história propriamente dita. A trama parece mais voltada para ser uma novela. Outro problema é a duração, são quase duas horas e meia de projeção. Não era necessário isso tudo, mas parece que os diretor tem abusado do exagero no tempo de seus filmes, sem muita necessidade.

Com isso, ele acabou sendo indicado ao Oscar apenas nas categorias técnicas, que inclusive foram merecidas. São elas: direção de arte, fotografia, figurino, trilha sonora (John Willians), mixagem e edição de som.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Johnny e June

Os filmes biografia estão cada vez mais comuns, e agora principalmente os baseados na vida de músicos. Se ano passado o homenageado foi Ray Charles, quem ganha vida nas telas esse ano é o cantor Johnny Cash no filme “Johnny e June”. Figura não tão conhecida aqui no Brasil quanto seus contemporâneos Jerry Lee Lewis e Elvis Presley, mas com uma carreira de bastante sucesso e importância musical lá nos Estados Unidos.

Nas mãos do diretor James Mangold (“Identidade” e “Garota Interrrompida”), o filme segue uma fórmula básica, sem muitas inovações e até certo ponto competente, com o roteiro centrando na parte inicial da carreira de Cash, mostrando um pouco de seus problemas familiares na infância em flashback, com uma excelente reconstituição de época coisa e tal. Isso tudo intercalado com as apresentações musicais, as partes mais legais é claro.

O grande diferencial e grande mérito do filme fica por conta de seus atores principais. Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, respectivamente como Johnny Cash e June Carter, tem atuações impressionantes, no limite da reencarnação. O esforço de ambos foi tanto que eles mesmos cantaram as músicas do filme e também aprenderam a tocar para melhor representar seus papéis. Não foi à toa que ambos foram indicados ao prêmio de melhor ator e atriz no Oscar desse ano. O filme também recebeu mais três indicações a prêmios técnicos (figurino, edição e edição de som). Eles tiveram seis meses de aula de canto de preparação. Inclusive Johnny e June de verdade, antes de morrerem, aprovaram a escolha dos atores para os papéis.

Aproveitando a moda dos filmes biografia, claro que fica a desculpa para um revival do artista com o lançamento de inúmeros cds, coletâneas e dvds. Claro que nem sempre isso acaba sendo feito de propósito. Ano passado a banda carioca Matanza lançou um cd dualdisc (um lado do disco é cd e outro é dvd) com um tributo a Johnny Cash chamado “To hell with Johnny Cash”. Algumas das músicas presentes no disco podem ser conferidas no filme como “Cry, cry, cry” e “Home of the blues”. Talvez se eles fossem mais “aproveitadores” tivessem esperado para lançar esse trabalho perto do lançamento do filme aqui no Brasil. A homenagem acabou ficando bem legal inclusive.

Alias, aqui no Brasil para facilitar a venda do filme para o público, foi adotado esse nome “Johnny e June”, para que pudesse ser associado a uma simples história de amor. Inclusive o cartaz foi totalmente modificado do original. O título em inglês é “Walk the line”, e o cartaz original tem um design bastante interessante. Pena não ter sido aproveitado por aqui.

E muitos outros filmes sobre músicas estão em fase de produção. Deve rolar filmes sobre Marvin Gaye, Keith Moon (do The Who), entre outros. Afinal de contas, enquanto a fórmula continuar dando certo, os estúdios irão continuar aproveitando.

Para as pessoas que conhecem e gostam dos músicos em questão a coisa funciona bem melhor. Talvez para aqueles que os desconhecem, com o uso e abuso dessas fórmulas, acabe até ficando a impressão de “eu já vi esse filme”. Pelo menos essa é a impressão que fica se compararmos, por exemplo, esse filme com “Ray”. A estutura e construção do filme, até a redenção final dos personagens principais, acabam soando bastante parecidas. Esse pelo menos é bem menos melodramático.

No final das contas, o filme vale pela história de vida Cash, pelas atuações e também pelas músicas. Isso já é o suficiente para ser bom. Claro que em alguns aspectos citados ele acaba pecando, mas isso não chega a comprometer por completo. Tudo bem, ele podia ser um pouco menor também.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

O segredo de Brokeback Mountain

Ang Lee é um cineasta com uma filmografia bastante diversificada. Ele já fez filme de artes marciais “O tigre e o dragão”, filme baseado em héroi quadrinhos como “Hulk”, o western “Cavalgada com o diabo” e até uma comédia gay chamada “Banquete de casamento”. Alguns deles com temáticas Americanas e outros Orientais. Ele nasceu em Taiwan, mas mora em Nova York há mais de vinte anos.

O seu mais novo filme “O segredo de Brokeback Mountain” vem sendo um verdadeiro sucesso de crítica e já ganhou inúmeros prêmios, e está cotado como o grande favorito ao Oscar desse ano. Foram oito indicações: filme, roteiro adaptado, trilha sonora, direção, fotografia, atriz coadjuvante (Michelle Williams), ator (Heath Ledger) e ator coadjuvante (Jake Gyllenhaal). E além disso causou uma certa polêmica por causa da temática gay. Inclusive chegou a ser proibida a sua exibição em alguns cinemas americanos. Reações totalmente exageradas, é claro. Alias o filme tem sido vendido como o “filme dos cowboys gays”, mas ele é só isso.

A história se passa no ano de 1963 e é baseada no conto da escritora Annie Prolux (inclusive o livro se chama “Close Range” e vai ser lançado no Brasil até Junho com o título de “'A queima roupa”). Ennis Del Mar (Ledger) e Jack Twist (Gyllenhaal) são dois jovens em busca de um emprego, mais precisamente para cuidar de um rebanho de ovelhas. Eles são enviados a montanha Brokeback, onde irão trabalhar juntos. No início uma relação tímida, eles nem se falam direito, mas aos poucos isso vai mudando. Claro, acaba rolando algo entre os dois. No início tudo acaba soando estranho, ambos negando e que aquilo não vai voltar acontecer. Mas o ocorrido acaba mudando suas vidas. Vou parar por aqui para não estragar a história.

O que faz o filme ser realmente bom são as atuações. Os protagonistas conseguem dar vida aos seus personagens de maneira convincente e surpreendente. A dedicação dos atores é impressionante. Seria fácil cair em certas armadilhas e acabar soando caricato ou mesmo piegas demais. Um dos méritos do filme é abordar o tema de forma original sem soar estereotipado. E claro que eles mesmo também correram o risco de acabarem sendo estigmatizados com esses papéis, mas acabaram sendo reconhecidos por seus talentos.

A fotografia é outro item que merece destaque. O visual do filme, principalmente a parte da montanha que é muito bonita. As cenas em que os protagonistas estão guiando as ovelhas também são interessantes, ainda mais com o pano de fundo. Toda a beleza do lugar foi captada pelas lentes do diretor.

O resultado é um filme muito bom e que vem merecendo o reconhecimento com todos esses prêmios que vem ganhando, e provavelmente vai ser o grande vencedor do Oscar de melhor filme deste ano.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Boa noite e boa sorte

George Clooney é um gênio! E esse ano ele finalmente foi reconhecido pelo Oscar e o seu segundo filme como diretor “Boa noite e boa sorte” recebeu seis indicações (filme, diretor, melhor ator – David Strathairn, direção de arte, fotografia e roteiro original). Dessas indicações, George concorre por duas. Além de ter dirigido o filme, ele também escreveu o roteiro ao lado de Grant Heslov (que também produziu o filme). E isso foi só por esse filme. Ele também está concorrendo ao prêmio de ator coadjuvante pelo filme “Syriana”, no qual ele ganhou o Globo de Ouro, e é o favorito na briga do Oscar nessa categoria.

Como todo mundo sabe, Clooney começou a ganhar fama com seu papel no seriado Plantão Médico (E.R.). Aos poucos ele foi entrando no mundo no cinema e fazendo papéis em filmes grandes. Então veio um filme que mudou a sua carreira, “Batman e Robin” em 1997. Foi quando ele quebrou a cara pela primeira vez e percebeu que o mundo de Hollywood era complicado. Depois de conhecer Steven Soderbergh no filme “Irresistivel Paixão”, as coisas começaram a mudar. Ele começou a escolher melhor seus papéis e começou a fazer um equilíbrio entre filmes mais interessantes financeiramente e os filmes que ele realmente queria fazer. Juntos eles montaram uma produtora independente e ainda fizeram filmes como “11 homens e um segredo”, cheio de outros astros e amigos da dupla que foi um verdadeiro sucesso de crítica e público, e depois filmes que eles queriam fazer como “Solaris”. Esse ano depois da entrega do Oscar, um novo capítulo poderá ser escrito em sua carreira.

O filme é baseado em fatos reais e conta a história do âncora do programa de tv “See it now” (veja agora) na CBS Edward R. Morrow (David Strathairn), o produtor Fred Friendly (Clooney) e sua equipe de repórteres na luta contra o senador Joseph McCarthy, que estava empenhado num caça as bruxas em busca de supostos comunistas dentro dos EUA. Então qualquer pessoa que tivesse um comportamento “suspeito” podia ser investigado como suposto comunista. Esse período histórico da história americana ficou conhecido como “macarthismo”. Nessa época a imprensa americana em geral em nada criticava os métodos e o que o senador vinha fazendo. Morrow e sua equipe foram um dos que tiveram coragem de enfrentar o senador. Isso acabou custando o seu emprego, mas deixou um bom exemplo que acabou derrotando o senador mais tarde.

O exemplo acabou sendo homenageado agora por Clooney. Mas ele tem mais motivos para isso. O seu pai também era jornalista na mesma época e sofreu também por tentar combater o senado e fazer uma imprensa livre. Esse segundo filme dele mostra que ele tem talento para direção, desde a acertada escolha do elenco como também da maneira como o filme foi realizado. A opção de realizar em preto-e-branco, consegue retratar melhor a época em que a história se passa. Outra coisa interessante é usar imagens de arquivo do senador McCarthy ao invés de convocar um ator para o papel. Talvez um ator pudesse dar um tom canastrão, caricato e “malvado” de mais ao “personagem”, mas no final das contas o próprio senador acaba sendo pior do que isso.

Apesar do fato da história ter ocorrido nos Estados Unidos, o seu tema acaba merecendo destaque universal pelo que o personagem defendia como liberdade de imprensa e o direito de discordar, além de mostrar um resgate histórico de um período triste da história Norte-Americana que foi o macarthismo. E tudo isso ainda ganha uma importância maior ao pensar que nos dias atuais, mais de cinqüenta anos depois, o governo de Bush esteja fazendo algo bastante parecido. Parece que o discurso de Edward R. Morrow continua mais atual do que nunca.

Ao contrário de “Munique” que acaba sendo longo e meio burocrático, Boa noite... é bem mais rápido e objetivo no que ele se propõe. Um filme político de verdade, digamos assim. Tanto que é até difícil em alguns momentos acompanhar todo o discurso que são disparados com muita velocidade e segurança, sem recorrer muito a explicações didáticas. Então talvez antes de ver o filme seja interessante dar uma lida básica sobre a situação na época. Acho que com o que eu falei aqui nesse texto já seja suficiente.

E como diria o próprio Morrow em seu bordão dito ao fim de cada programa, e de onde vem o título do filme, boa noite e boa sorte.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

The Racouteurs

O guitarrista e vocalista do White Stripes Jack White está com um novo projeto musical chamado The Racouteurs. A banda conta além de White com Brendan Benson (na co-liderança do projeto), amigo de longa data de White que chegou até a abrir algumas apresentações do White Stripes, que alternam nos vocais, teclados e guitarra; o baixista Jack Lawrence e o baterista Patrick Keeler, da banda de blues Greenhornes.

Já está disponível no site oficial da banda (www.theraconteurs.com) duas músicas para serem ouvidas online: "Steady, As She Goes" e "Store Bought Bones". Por sinal o site é muito legal, bem retrô, imitando um terminal de computador com as letras verdes. As duas músicas são muito boas, vale a pena dar uma conferida.

Eles lançaram na Inglaterra um compacto em vinlyl com essas duas músicas com tiragem limitada. O produto virou raridade e já negociada em sites como o Ebay por até 80 Dólares. No dia 7 de Março esse mesmo compacto vai ser lançado nos EUA, também com tiragem limitada.

O disco da banda se chamará "Broken Boy Soldiers" e será lançado em Maio desse ano. E em Março eles devem entrar em turnê, começando pelo Japão.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Munique

Steven Spielberg está de volta ao cinema com o filme “Munique”. Incrível como ele consegue fazer dois filmes por ano. Vale lembrar que ano passado teve também “Guerra dos Mundos”, e que “Munique” estreou lá nos EUA ano passado também. E ele ganhou ainda mais força depois das indicações ao Oscar. Ele concorre em cinco categorias: filme, direção, edição, roteiro adaptado e trilha sonora. Juntando com as três indicações de “Guerra dos Mundos” (edição de som, mixagem de som e efeitos visuais), Spielberg conseguiu oito indicações de seus filmes. Mas quem bateu recorde de indicações foi John Willians (que sempre trabalha com Spielberg), responsável pela trilha sonora. Ele já acumula quarenta e cinco indicações, sendo que esse ano ele está indicado por dois filmes (ele também concorre por “Memórias de uma gueixa”.

Esse filme causou muita polêmica antes mesmo de sua estréia devido ao seu conteúdo. Ele fala sobre o atentado terrorista ocorrido nas Olimpíadas de Munique em 1972, quando terroristas árabes fizeram onze atletas israelenses de reféns. O episódio acabou com a morte dos reféns e também de alguns terroristas. E é justamente nesse ponto que o filme começa, narrando esses fatos com ajuda de imagens da época. Eis então que o governo de Israel resolve tomar uma atitude e vingar o ocorrido. Entra então em cena Avner Kaufman (Eric Bana, de Hulk e Tróia), que é convocado para liderar um grupo para ir atrás dos responsáveis pelo atentado.

O elenco tem atores de várias nacionalidades, para dar uma veracidade maior a história. Entre os mais conhecidos estão Geoffrey Rush (Piratas do Caribe) e Daniel Craig (que vai ser o James Bond no próximo 007).

Os israelenses e os árabes é claro, não gostaram do filme. Em compensação, a crítica americana adorou o filme, e apesar de ter sido um pouco ignorado pelo Globo de Ouro, foi lembrado pelo Oscar.

O roteiro foi baseado no livro “Vingança: a verdadeira história de um comando contraterrorista israelense”, escrito pelo jornalista húngaro George Jonas. O livro foi lançado em 1998, e agora com o lançamento do filme, foi lançado aqui no Brasil. Então para quem se interessar em saber mais sobre o fato, pode ser uma boa opção.

Spielberg é um diretor que tem em sua filmografia filmes mais sérios como “Império do Sol” e “A lista de Shindler”. Ele sempre tenta equilibrar o lado mais sério com o lado entretenimento. Afinal de contas, ele é especialista em agradar o grande público. Acontece que nesse filme ele perde um pouco a mão na narrativa. O filme acaba sendo “político” demais para um filme de entretenimento e “entretenimento” demais para um filme político. Some a isso a suas quase três horas de duração. Acaba ficando um pouco repetitivo e cansativo, com um ritmo um pouco lento e arrastado em algumas horas. Mas sim, ele consegue ser bastante imparcial com a história e tenta levantar alguma reflexão no final. O filme é bom, apesar dos problemas citados.

Essa semana a grande maioria dos indicados ao Oscar começam a estrear por aqui. Esse fim de semana estréiam “O Segredo de Brokeback Moutain” (com oito indicações, incluindo melhor filme), “Boa noite, boa sorte” (com seis indicações, incluindo melhor filme) e “Memórias de uma gueixa” (com seis indicações, mas em categorias técnicas). Então se preparem pois de hoje até a noite da premiação (dia 5 de Março), muito se falará sobre o Oscar por aqui.