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sexta-feira, 28 de abril de 2006

Sra. Henderson Apresenta

Estamos no final de Abril, quase dois meses depois da entrega do Oscar, e só agora chega por aqui o filme “Sra. Henderson Apresenta” que teve duas indicações ao prêmio (melhor atriz para Judi Dench e melhor figurino). Dirigido por Stephen Frears (“Alta Fidelidade”), ainda conta com Bob Hoskins no elenco principal junto com Dench.

Judi Dench é Laura Henderson, uma mulher muito rica que acaba de ficar viúva. Ela então resolve procurar um hobby e acaba comprando um teatro. Para administrá-lo, ela contrata Vivian Van Damm (Bob Hoskins), um homem com experiência no ramo. A relação entre os dois acaba sendo algo entre o amor e o ódio. E eles acabam tendo os melhores diálogos do filme.

A história se passa em Londres nos anos 30, pouco antes da segunda guerra mundial. O teatro acaba se tornando palco para musicais, algo como uma importação do modelo Moulin Rouge francês. Depois do sucesso inicial, não demora para os outros teatros de Londres começarem a imitar. Eis então que a sra. Henderson tem uma idéia inovadora para seus espetáculos, colocar mulheres nuas.

No inicio o filme começa como uma comédia leve e divertida, mas que aos poucos vai mostrando que é mais do que isso, ainda mais com o pano de fundo da guerra. Seja sobre o que é realmente arte, ou sobre os valores da sociedade e dos bons costumes que estão sempre em mudança com o passar do tempo.

A trama é focada na história da sra. Henderson. Suas motivações para abrir o teatro, e principalmente seu relacionamento com o sr. Van Damm. O filme é dela, isto é, todo o resto parece estar em segundo plano. Inclusive vale lembrar que a história é inspirada em fatos reais.

Seja passando pela comédia, pelas partes musicais dos shows exibidos no teatro e também com pouco de drama, tudo isso no melhor clima britânico, o filme funciona bem e consegue ser um filme divertido e interessante.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Crime Delicado

O diretor Beto Brant mostra que é possível sim fazer bons filmes aqui no Brasil. Sua filmografia inclui filmes como “O Invasor” e “Matadores”. Com “Crime Delicado” ele muda o estilo em relação aos trabalhos anteriores.

Se antes ele costumava abordar a questão da violência, tramas policias, ter edição ágil, entre outros, agora ele está mais intimista. Usando técnicas de teatro, numa trama mais subjetiva, esse acaba sendo seu trabalho mais complexo, um pouco fora dos padrões “convencionais” do cinema. Talvez isso acabe soando estranho para o público não acostumado a filmes “fora do padrão”. Na sessão que assisti ouvi comentários tipo “não estou entendendo nada” e pessoas “chocadas” com o final. Mas essa reação “adversa” do público ainda está longe de bater o recorde da vez que eu assisti “Cidade dos Sonhos” de David Lynch. Nessa sessão as pessoas bateram palmas ao final do filme, dando graças a Deus por ele ter acabado.

A história é baseada no livro de mesmo nome escrito por Sérgio Sant´Anna. Antônio Martins (Marco Ricca, que também produziu o filme e ajudou a escrever o roteiro) é um crítico de teatro totalmente racional. Ele conhece Inês (a estreante Lilian Taublib), uma mulher que é modelo de um artista plástico que não tem uma das pernas. Antônio começa então a agir passionalmente ao descobrir o envolvimento érotico dela com o artista vendo uma exposição de quadros dele. Ele acaba indo na casa dela e num ataque de ciúmes acaba fazendo sexo com ela sem seu consetimento.

A principio a trama pode parecer simples, mas a abordagem que o filme dá aos temas que é interessante. Inserções de cenas de teatro para ressaltar o trabalho de Antônio em criticar as mesmas, mas que ao mesmo tempo ele também pode acabar virando “palco” para críticas por suas ações. Outro fator é explorar também a arte, mostrando os quadros e um pouco do processo criativo do artista. Com isso levar a muitos questionamentos como o limite da arte, ou melhor, o que é arte. E claro, sobre o crime cometido por Antônio, já que Inês o acusou de estupro.

São três cenas de teatro tiradas das peças “Confraria Libertina”, “Woyzeck” e “Leonor de Mendonça”, que contam com algumas participações especiais como a do ator Matheus Nachtergale. As cenas retratam de alguma forma a maneira como o protagonista está de comportando com o ciúme. Elas foram filmadas com a camera parada, para que o público realmente tivesse a impressão de estar assistindo a uma peça de teatro.

Já para as cenas dentro do “mundo real”, quando Antônio começa a ser julgado pelo seu crime por exemplo, foram filmadas em preto e branco. Um recurso visual que ajuda a construir a narrativa, ou digamos assim, ajuda na subjetividade da história. Alguns outros personagens e cenas aparecem meio desconexas ao filme, mas acabam sim acrescentando bastante ao conteúdo.

Esse filme com certeza é bastante diferente do estilo mostrado por Brant em seus filmes anteriores. O fato dele ser mais intimista e subjetivo pode até digamos assim tornar o filme um pouco mais “difícil” de ser assimilado, complexo demais ou subjetivo demais. Ou talvez justamente por isso ele acabe se tornando um filme interessante. Sim, o filme é bom. Agora se você acha que vai ter problemas com os elementos citados sobre o filme, melhor nem ir assistir. Pelo menos você leu essa resenha e caso resolva ver o filme está avisado sobre a situação. Quem sabe assim evita ficar como as pessoas que estavam na sessão, achando que iam ver um filme “comum” e ficar sem entender nada.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

A era do gelo 2

Em 2002 o filme “A era do gelo” marcou a entrada do estúdio Fox na briga das animações de longa-metragem. Produzido pelo estúdio Blue Sky, tinha na direção Chris Wedge e a co-direção do brasileiro Carlos Saldanha. Ele agora ganhou a chance de comandar o seu primeiro filme nessa continuação “A era do gelo 2”.

Os três amigos estão de volta: Manny (o mamute), Sid (a preguiça) e Diego (o tigre dentes-de-sabre). Depois de sobreviverem à geleira, agora eles terão que lutar contra uma inundação que promete acabar com o seu habitat.

É possível perceber as evoluções na animação digital nessa continuação. Os personagens estão com mais detalhes, mais bem definidos visualmente e alguns cenários estão nitidamente mais complexos. Claro que ainda não estão perfeitos. Uma das coisas mais complicadas de fazer é água. É nesse quesito que da para perceber que ainda da pra evoluir mais um pouco. O diretor Saldanha falou sobre essa dificuldade em uma entrevista.

Agora enquanto os efeitos ficaram mais complexos, a história ficou mais simples. Se no primeiro os personagens tinham muito mais conflitos pessoais, nessa continuação eles resolveram fazer um filme-pipoca fixado no humor e algumas cenas de ação. É aí que começam os problemas dele. Onde foi parar a graça? O filme é bastante sem graça, essa é a verdade. E as cenas de aventura são bem fracas e apelativas.

Um outro problema é que o personagem Scrat, a mistura de esquilo com rato, que ficou famoso no primeiro filme por sua perseguição incansável a sua noz. Aqui na continuação ele ganha destaque como um dos principais da trama. Isto é, sua trama é mostrada em paralelo, tipo um filme dentro do outro, soando totalmente desconexo, até que no final ele acaba ganhando um objetivo real dentro da história. Alias, que desfecho bizarro o filme ganhou graças a ele.

Se o objetivo era ser mais engraçado que o primeiro, esse não foi cumprido. A história acabou ficando em segundo plano e deixada de lado. Quem sabe no terceiro não fazem logo um filme somente do Scrat e deixam os personagens principais de lado. Bom, talvez pelo menos para as crianças (o público alvo do filme) ele funcione melhor. Talvez quem sabe elas não se divirtam.

Para mim é chega de filme de bichinhos! O jeito é aguardar para a nova animação da Pixar que promete bastante! Estou falando de “Carros”, esse sim parece que vai ser legal. É aguardar pra ver.

Vale deixar aqui novamente a reclamação da falta de cópias legendadas. Tudo bem, eu já tinha visto o primeiro dublado, mas a falta de opção é foda. E se “Os Incríveis” só veio com cópias dubladas, o que esperar para “Carros”? Pelo jeito vou ter que baixar na Internet para assistir.

O diretor Carlos Saldanha está bem de vida. O filme vai bem nas bilheterias americanas. Para seu primeiro trabalho na direção está bem. Quem sabe no próximo ele não acerta a mão.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Supergrass - Campari Rock Festival

Supergrass - Campari Rock Festival - 08 de Abril de 2006
Mais fotos do show nesse link: http://musica.uol.com.br/album/campari_rock_supergrass_album.jhtm

Eu tinha comentado aqui no blog que existia a possibilidade de eu ir lá no Brasil, mais especificamente ao interior de São Paulo na cidade de Atibaia, ver o show do Supergrass, mas acabou não rolando. Bom, sábado de noite eu já estava em casa de maresia, quando descobri que o site do Terra estava transmitindo o festival Campari Rock ao vivo e iria passar o show completo do Supergrass. Tudo bem, a qualidade da transmissão não era das melhores, mas eu consegui acompanhar tudo ao vivo numa boa. Liguei o computador na tv e no som, e pronto, parecia que estava sendo transmitido por um canal de televisão, com a vantagem de não ter comercial e nem apresentador para encher o saco.

O show começou com atraso de mais de uma hora, quase por volta de uma da manhã. Eles sobem ao palco começam tocando duas músicas do primeiro disco (I should coco): “Lenny” e em seguida “Caught by the fuzz”. Pronto, já tinham ganhado o público. Agora com o atraso e a chuva, parece que a galera estava bastante cansada.

Então veio a parte mais acústica do show, que devido aos fatores citados, não agradaram muito o público. A banda já tinha comentado em entrevista que o show seria assim, começaria mais acústico e pessoal para depois virar uma “explosão de rock”. E assim aconteceu. Essa parte da apresentação teve no repertório músicas do último disco (Road to Rouen, quinto cd da banda, que vai ser lançado agora em abril no Brasil). Algumas músicas Gaz Coombes (vocalista da banda) tocou sozinho no piano, ou então voz e violão. Foi um clima mais lento e introspectivo, e sim, muito bonito. Músicas como “St. Petersburg”, “Roxy”, “Tales of Endurance”, “Low C” e “Funniest Thing” (essa do Life on ohter planets, quarto cd) são maravilhosas, mostrando o novo lado da banda, digamos assim mais “maduro”.

O clima começou a mudar e o repertório foi ficando mais “rock” aos poucos. Começando com “Kick in the teeth” e continuando com “Rush hour soul”, a coisa foi esquentando. Então eles começaram a tocar músicas mais famosas como “Moving”, “Grace” e “Pumping on your stereo”, essa última cantada em coro pelo público. Um outro destaque foi “Stange Ones”, mais uma do primeiro cd. Veio uma pequena pausa, e o bis veio com a melhor música do show: “Sun hits the sky”. Fecharam o show em grande estilo.

Alguns é claro sentiram falta do maior hit da banda, “Allright”. Honestamente, ainda bem que eles não tocaram. Dez anos atrás, quando a banda tocou pela primeira vez (essa foi a segunda) no Hollywood Rock, essa música era um sucesso. Foi graças a ela que a banda conseguiu fazer sucesso e tocar pelo mundo, inclusive para grandes platéias como nesses shows (um em São Paulo e outro no Rio). Muitas bandas que tocaram nesse festival hoje em dia nem existem mais (Smashing Pumpkins por exemplo). Tudo bem, se eles tivesse tocado a música eu não iria me incomodar, mas posso dizer que não fez falta nenhuma, pelo menos pra mim.

O show teve por volta de noventa minutos, acabou mais de duas da manhã e digo, foi muito bom! Ainda mais para quem já tinha perdido a esperança de ver alguma coisa. Melhor mesmo, é claro, só vendo ao vivo de verdade.

Links sobre o show:
-
Terra (com videos do show)
- Uol

segunda-feira, 3 de abril de 2006

O Plano Perfeito

Confesso que nunca fui muito fã dos filmes de Spike Lee, mas isso não quer dizer que não os achava bom. Talvez por sua especialidade ser fazer filmes sobre negros americanos, isso acabava sempre soando um pouco repetitivo. Mas as vezes que ele resolveu fugir dessa temática, ou pelo menos ser mais abrangente, consegue fazer realmente bons filmes, ou melhor, filmes que eu realmente goste. Um exemplo disso foi “A última noite”, estrelado por Edward Norton, o meu filme favorito. Tudo bem, ele errou a mão novamente com “Elas me odeiam, mas me querem”. Mas agora com “O Plano Perfeito” (Inside Man) ele prova mais uma vez que é um grande diretor, e não precisa fazer sempre “filme sobre negros”, ou pelo menos que não sejam só isso.

Quem estrela o filme é Denzel Washington, que já trabalho com Lee em alguns filmes, entre eles “Malcom X” é o de maior destaque. Ele é o policial Keith, encarregado de cuidar da negociação do assalto do banco realizado por Dalton (Clive Owen). Nas mãos de um diretor qualquer, esse poderia ser apenas mais um filme do gênero, totalmente sem graça. Mas com a direção de Lee, ele ganha um contexto mais interessante. Não deixa de ser um “thriller” sobre um ousado assalto a banco, com bastante tensão, mas sem deixar de abordar questões políticas e raciais, com diálogos bastante inteligentes.

O filme começa com o personagem Dalton, o ladrão, contando sobre como ele pretende fazer o roubo perfeito. Bom, contar aqui algo sobre o assalto pode estragar a história. A trama é cheia de tensão, surpresas e reviravoltas, então melhor não contar muita coisa. Basta saber que é basicamente um “filme de roubo”, mas também não é só isso.

Quem comanda o filme é Clive Owen, apesar do personagem passar a maior parte do tempo mascarado (o que pode ser problema para alguns atores). O resto do elenco também está muito bem, principalmente Denzel, com destaques também para Jodie Foster, Christopher Plummer e Willian Dafoe.

Segundo Lee, esse filme é também de certa forma uma homenagem a outros filmes sobre assaltos, ou mais especificamente o filme “Um dia de cão” do diretor Sidney Lumet e estrelado por Al Pacino. Nesse filme Pacino é um ladrão de banco, que faz reféns e começa a negociar a situação. Um verdadeiro clássico, que inclusive acabou de ganhar uma versão especial em dvd.

Outro detalhe interessante é que apesar de mudar a temática de seus filmes, sem fugir de temas políticos e raciais, uma coisa nunca muda na filmografia de Lee, seus filmes sempre se passam em Nova York. E esse não foge a essa regra. Até Woody Allen foi filmar em Londres, mas Lee continua em sua cidade preferida.

O resultado é um filme muito bom, com um roteiro e direção inteligentes, que é capaz de ser um filme entretenimento sem deixar de abordar questões sérias e até mesmo um pouco de reflexão. Afinal de contas, é um filme de Spike Lee.