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terça-feira, 31 de março de 2009

Gran Torino

Título Original: Gran Torino (EUA, 2008)
Com: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her, Brian Haley, Geraldine Hughes e Chee Thao
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Nick Schenk e Dave Johannson
Duração: 116 minutos


Nota: 5 (excelente)

Clint Eastwood está de volta a frente das câmeras, sem ter deixado de sair de trás. Em “Gran Torino” ele dirige e atua, algo que não fazia desde “Menina de Ouro”, que tinha sido seu último papel como ator. Ele pretendia continuar apenas dirigindo, mas o papel desse filme parecia ter sido feito para ele e então resolveu fazê-lo.

Esse ano ele completa 79 anos, mas mesmo assim continua com um ritmo intenso de trabalho, fazendo praticamente 2 filmes por ano. Pode até ter errado a mão em “A Troca”, que eu não assisti, mas aqui ele faz mais um excelente filme.

Eastwood vive Walt Kowalski, veterano de guerra que acabou de perder sua esposa. Sua família agora não sabe o que fazer com ele. Seu relacionamento com os familiares é nulo, não se identificam em nada. Seu único afeto é o carro e sua cachorra de estimação. Para completar ele também não se esforça nem um pouco em ser simpático.

O pano de fundo da história é a crise atual americana, retratada na cidade de Detroid que vive a crise da indústria automobilística. Kowalski é justamente aquele americano saudoso, que se lembra da época boa dos anos 70 e não se adaptou a essa nova realidade.

O drama começa quando Kowalski acaba se envolvendo com a família vizinha de origem oriental. O filme mostra que mesmo depois de velho ainda temos algo a aprender, entrando em questões que envolvem também um conflito urbano.

O filme consegue aos poucos envolver o espectador e mesmo com alguns pequenos problemas o poder da história fala mais alto, resultando em um excelente filme, comprovando mais uma vez o talento de Eastwood tanto como diretor quanto como ator.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Just a Fest

Com as bandas Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead
22 de Março de 2009
Chácara do Jóquei - São Paulo

Sem dúvidas o Radiohead era uma das atrações mais aguardadas a vir tocar no Brasil. Finalmente eles vieram para fazer 2 shows. Acabei indo ver o show em São Paulo. O festival Just a Fest ainda contou com a banda alemã Kraftwerk e a volta do Los Hermanos.

A escolha do local do show em São Paulo foi péssima. O lugar ficava num lugar de difícil acesso, sem metro e com poucas opções de vias para se chegar e de linhas de ônibus. A ida de ônibus foi relativamente tranqüila, mas a volta prometia ser bem difícil. O acesso a Chácara do Jóquei era terrível, só tinha uma entrada. O local era de terra e grama, mas felizmente não choveu muito forte, senão ia ser uma lama tipo Woodstock.

Felizmente ao chegar no local o show do Los Hermanos já estava na metade. Como não gosto da banda nem dei muita atenção a apresentação. Nem me perguntem como foi que eu não vou saber o que dizer. Quando acabou era hora de tentar chegar num lugar mais perto do palco para começar a ver os shows que interessavam.

Apesar dos problemas da organização do evento, um dos pontos positivos foi o cumprimento do horário dos shows. Todos começaram bem próximo do previsto.

Durante a apresentação do Kraftwerk a única coisa que vinha na minha mente era o show do Daft Punk. Afinal de contas os caras são os pais da música eletrônica e apesar dos mais de 30 anos de carreira o som está mais atual do que nunca, principalmente na temática, mas tudo isso com um clima meio retrô. No palco apenas 4 “homens máquina” com seus respectivos instrumentos musicais: laptops. Atrás deles um telão com um verdadeiro show de imagens que representavam bem o contexto da música.

O show é totalmente hipnótico ao misturar muito bem a experiência sonora com a visual. O repertório foi muito bem escolhido apenas com os clássicos. Um dos destaques é quando os 4 saem do palco e são substituídos por 4 robôs. Eles pareciam manequins e ficavam dançando, genial.

Será que o Radiohead iria conseguir superar isso? Confesso que não tinha muita expectativa em relação ao show. Pelo repertório dos outros shows, sempre contendo todas as músicas do último cd da banda (In Rainbows), parecia que poderia ser um pouco chato. Felizmente estava enganado a o show conseguiu realmente me surpreender. Agora isso para quem viu ao vivo, porque pela televisão deve ter sido bem chato.

A apresentação da banda é realmente muito boa, com uma riqueza sonora excelente, além de uma ótima iluminação de palco. O telão mostrava em boa parte do tempo 5 telas separadas, cada uma mostrando um dos integrantes. As luzes mudavam de cor, piscavam e criava uma ótima experiência visual para complementar a música.

Difícil vai ser tentar descrever os detalhes do show, foram muitos. Foram 26 músicas em mais de 2 horas de apresentação. A minha única reclamação é a falta de músicas mais antigas dos 2 primeiros álbuns, quando a banda era mais “rock”. Mas mesmo assim o repertório foi muito bom e misturou muito bem as músicas do último cd com outras dos trabalhos anteriores.

Engraçado foi na hora que eles tocaram “Fake Plastic Trees” que esse que vos escreve gritou: “CARLINHOOOOSSS!!!” (para quem não lembra, a música foi usada num comercial da APAE), gerando risos na platéia. O final da apresentação com “Creep” fez com que todos saíssem do local totalmente satisfeitos com o que tinham visto.

O problema mesmo foi a volta. Primeiro para conseguir sair do local, que só tinha uma saída. Multidão andando numa verdadeira "marcha dos pinguins". Depois ao tentar conseguir um ônibus ou táxi. Foi um desastre que se não fosse pelos excelentes shows com certeza teria prejudicado bastante o festival.

Fotos do show:
UOL Música
G1.Globo
Musica.ig

sexta-feira, 20 de março de 2009

Medo e Delírio em Las Vegas - Uma jornada selvagem pelo coração do Sonho Americano

Título Original: Fear and Loathing in Las Vegas: A Savage Journey to the Heart of the American Dream (EUA, 1971)
Autor: Hunter S. Thompson
Tradução: Daniel Pellizzari
Ilustração: Ralph Steadman
Editora: Conrad
Número de Páginas: 216


O livro “Medo e Delírio em Las Vegas - Uma jornada selvagem pelo coração do Sonho Americano” escrito por Hunter S. Thompson nos anos 70 foi uma experiência jornalística bastante ambiciosa. Publicado pela primeira vez na revista Rolling Stone, depois acabou virando livro que ganhou também as ilustrações do artista inglês Ralph Steadman, grande amigo e parceiro das aventuras de Thompson.

A grande sacada do livro é a maneira como é contada por Thompson ao misturar técnicas do jornalismo com ficção, narração em primeira pessoa, além é claro de uma sensacional viagem alucinógena. Esse estilo acabou sendo batizado de jornalismo gonzo, nome dado por um amigo de Hunter chamado Bill Cardoso.

A história mostra o jornalista Raoul Duke, um dos pseudônimos de Thompson, indo para Las Vegas para cobrir uma corrida de motocicletas. Ele e seu amigo e advogado “samoano” partem para cidade num conversível vermelho e cheios de drogas e bebidas. A viagem acaba virando uma busca pelo “sonho americano”.


O livro mostra justamente as duas faces dos EUA ao retratar os conflitos entre os “caretas” e os “doidões”, além de mostrar também o fim da era hippie e a luta contra o conservadorismo. Tudo isso de maneira bastante irônica e cheia de humor. Um retrato fiel de uma incrível viagem no mundo das drogas.

Em 1998 o livro foi adaptado para os cinemas nas mãos do diretor Terry Gillian com Johnny Depp no papel de Raoul e Benicio Del Toro como o “samoano”. O filme é bastante fiel ao livro e conseguiu adaptar muito bem o clima da história. Devido a seu conteúdo bastante “insano” o filme acabou não fazendo muito sucesso, mas quem não tiver interesse em ler o livro vale a pena uma conferida pelo menos nele. Depp está genial como sempre em mais um papel bastante fora do comum, bem do jeito que ele gosta.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Milk - A Voz da Igualdade

Título Original: Milk (EUA, 2008)
Com: Sean Penn, James Franco, Josh Brolin, Emile Hirsch, Diego Luna, Alison Pill, Victor Garber, Denis O'Hare e Lucas Graabel
Direção: Gus Van Sant
Roteiro: Dustin Lance Black
Duração: 128 minutos


Nota: 4 (ótimo)

Harvey Milk não é muito conhecido aqui no Brasil, mas ele foi uma figura importante na história recente americana. Além de ter sido o primeiro gay assumido a assumir um cargo público ele teve um papel importante na luta pelos direitos dos homossexuais. Sua história acabou de forma trágica com seu assassinato em 1978. É justamente a partir desse fato que o filme “Milk – A Voz da Igualdade” conta em forma de flashback a história dos últimos 8 anos de Harvey.

O filme retrata muito bem essa parte da vida de Harvey numa ótima edição que mistura a excelente reconstituição de época dos anos 70 com imagens reais, boa parte tirada do documentário “The Times of Harvey Milk”, vencedor do Oscar de melhor documentário em 1985 dirigido por Rob Epstein.

Além disso, o diretor Gus Van Sant (“Gênio Indomável”, “Elefante”, “Paranoid Park”), que é gay assumido, conseguiu reunir um elenco muito bom a começar por Sean Penn como protagonista.

A história começa quando Harvey e seu namorado Scott (James Franco) resolvem se mudar para San Francisco, onde abrem uma pequena loja fotográfica. O local acaba virando ponto de encontro dos gays mesmo com o excesso de perseguição e violência policial. Ele então resolve tentar lutar para acabar com isso. Começa então a reunir pessoas e se organizar para tentar se eleger como supervisor distrital, algo parecido com o nosso vereador.

O foco maior do filme é mostrar as realizações desse período de vida de Harvey, ao retratar o período e não muito em sua morte prematura e violenta. Sua luta além dos direitos dos gays era também pelos direitos iguais das minorias que sofrem preconceitos. Seu grande carisma foi importante para convencer os não gays sobre a importância da sua luta.

Tudo isso é retratado de maneira que mistura uma forma documental e ao mesmo tempo bem próxima ao personagem mostrando sua vida íntima. Isso garante ao espectador uma visão tanto pessoal de Harvey como também da importância da sua luta com a contextualização histórica.

A atuação de Penn como Milk é realmente espetacular, com certeza digno do Oscar. Mas todo o elenco também está muito bem, com destaques para James Franco, Emile Hirsch e Josh Brolin, que ganhou indicação a ator coadjuvante.

8 indicações ao Oscar – 2 prêmios
Filme: Dan Jinks e Bruce Cohen (produtores)
Ator: Sean Penn
Direção: Gus Van Sant
Trilha Sonora: Danny Elfman
Edição: Elliot Graham
Ator coadjuvante: Josh Brolin
Figurino: Danny Glicker
Roteiro Original: Dustin Lance Black

terça-feira, 10 de março de 2009

Watchmen - O Filme

Título Original: Watchmen (EUA, 2009)
Com: Patrick Wilson, Jackie Earle Haley, Matthew Goode, Billy Crudup, Jeffrey Dean Morgan, Malin Akerman, Carla Gugino, Stephen McHattie e Matt Frewer
Roteiro: David Hayter e Alex Tse
Direção: Zack Snyder
Duração: 163 minutos


Nota: 2 (regular)

Watchmen – O Filme” chega aos cinemas com a difícil tarefa de adaptar a graphic novel de Alan Moore. O diretor Zack Snyder, que já teve outra experiência em adaptar quadrinhos com “300”, tinha o trabalho de adaptar uma obra tão complexa ao ponto de agradar os fãs e ao mesmo tempo conseguir adaptá-lo para o grande público. O resultado que se vê na tela não é um filme ruim, mas ao comparar com a revista a coisa complica.

Como eu já tinha falado aqui no blog quando comentei sobre a revista, o problema da adaptação seria a estrutura da história. São muito detalhes e não da para colocar tudo num filme de pouco mais de 2 horas e meia. O que resta é adaptar apenas a história, e nisso o filme cumpre bem o seu papel. O básico da trama está lá, mas não é suficiente. O ritmo vai até bem até pouco mais da metade, mas a parte final se perde bastante em concluir tudo rápido demais.

O maior vilão do filme acaba sendo a armadilha da fidelidade com a revista. A trama é colocada como elemento principal, então a escolha do elenco ficou em segundo plano. Isso também compromete bastante o filme. O único que merece destaque é Jackie Earle Haley como Rorschach. Ele é o único que consegue fazer um personagem bem próximo ao que é visto nos quadrinhos. O mais fraco sem dúvidas é Matthew Goode como Ozymandias, tanto pela atuação quanto pela caracterização do personagem.

Mesmo assim Zack Snyder demonstrou muito respeito pela obra original e o que se vê no resultado final do filme talvez seja apenas sua limitação como diretor. Ele fez o melhor que podia, tentou ser fiel a história, mas seu estilo “visionário” de direção com cenas em câmera lenta e coisas do tipo talvez não seja a mais adequada para uma obra como “Watchmen”. Em “300” isso funciona muito bem. A idéia da revista era mostrar como seriam os super heróis no mundo real, mas esse tipo de coisa fica parecendo que estamos vendo algo tipo “Matrix”.

O pior é que uma das poucas “cenas de ação” da revista, a invasão da prisão, tenha virado uma cena de luta tão sem graça. Outras duas cenas que também perderam impacto foram as sessões de Rorschach com o psicólogo e as divagações do Dr. Manhattan em Marte, só para citar algumas.

O resultado é um filme bem regular, tanto como adaptação da revista quanto como filme em si. A falta de atuações marcantes também faz com que a história perca o impacto.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Cadê os filmes do Oscar?

Eu estava na dúvida se ia postar algo sobre isso ou não aqui no blog, mas resolvi escrever algo. Bom, eu postei aqui no blog falando a respeito das datas de estréia dos filmes do Oscar. A cerimônia aconteceu já vai fazer quase 2 semanas e alguns dos indicados que já estrearam lá no Brasil até agora não apareceram por aqui em Salvador.

Tudo bem que até compensaram rolando pré-estréia de “Quem quer ser milionário?”, que estréia somente nessa sexta, mas 2 dos indicados a melhor filme ainda não chegaram por aqui. Foi justamente pela estréia de 1 deles, “Frost/Nixon”, lá no Brasil e nada por aqui que eu resolvi escrever sobre isso. Além desse tem mais outros 4 filmes: "Dúvida", "O casamento de Rachel", "Milk – A voz da igualdade" e "Rio congelado".

Se continuar desse jeito a solução vai acabar sendo ter que apelar para a pirataria e baixar os filmes. Porque pelo ritmo que estão as coisas, não existe previsão nenhuma dos filme citados chegarem por aqui.

Não sei pra que eu continuo reclamando sobre isso, mas enfim...