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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011

Esses últimos dias foram de correria para conseguir assistir os 10 filmes indicados a melhor filme antes da cerimônia. Todos são bons filmes, mas não sei se concordo muito com 10, acho que 5 era um bom número. E esse ano quase todos os 10 tiveram uma boa bilheteria, então significa que o grande público assistiu os filmes.

O meu favorito continuou sendo “Toy Story 3”, que levou 2 prêmios. “A rede social” era meu segundo favorito e levou 3 prêmios. “A Origem” acabou ficando apenas com os prêmios técnicos levando 4 estatuetas. “O Discurso do Rei” que era o favorito acabou levando as categorias principais e realmente é um excelente filme que me surpreendeu. “O Vencedor” consagrou seu elenco levando os prêmios de ator e atriz coadjuvantes, enquanto “Cisne Negro” levou melhor atriz.

Sempre gostei de assistir a cerimônia de entrega do Oscar. Acho que já tem uns 20 anos que eu assisto. Ultimamente eles estão tentando agradar o público jovem com coisas parecidas com o prêmio de cinema da MTV, o Movie Awards. É bom para quebrar um pouco o clima formal e sério da cerimônia. A dupla de apresentadores James Franco (que foi indicado por “127 Horas”) e Anne Hathaway esteve muito bem. A referência ao filme “De volta para o futuro” no início já valeu a cerimônia.

A premiação não teve nenhuma grande surpresa, como quase acontece. E uma tendência é a premiação ser bem equilibrada já que “O Discurso do Rei”, melhor filme, levou “apenas” 4 prêmios. Nos últimos anos tem sido assim, o vencedor da categoria principal leva uns 3 ou 4 Oscar.

Confira a lista de filmes indicados ao Oscar 2011 (e se ganharam algum prêmio) já comentados aqui no blog:

A Origem (Inception) - 8 indicações - 4 prêmios
Filme: Emma Thomas e Christopher Nolan (produtores)
Direção de arte: Guy Hendrix Dyas (Production Design), Larry Dias e Doug Mowat (Set Decoration)
Fotografia: Wally Pfister
Trilha sonora original: Hans Zimmer
Edição de som: Richard King
Mixagem de som: Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick
Efeitos visuais: Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley e Peter Bebb
Roteiro original: Christopher Nolan

A Rede Social (The Social Network) - 8 indicações - 3 prêmios
Filme: Scott Rudin, Dana Brunetti, Michael De Luca e Ceán Chaffin (produtores)
Ator: Jesse Eisenberg
Fotografia: Jeff Cronenweth
Direção: David Fincher
Edição: Angus Wall e Kirk Baxter
Trilha sonora original: Trent Reznor e Atticus Ross
Mixagem de som: Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick e Mark Weingarten
Roteiro adaptado: Aaron Sorkin

Além da Vida (Hereafter) - 1 indicação
Efeitos visuais: Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojanski e Joe Farrell

Alice no país das maravilhas (Alice in Wonderland) - 3 indicações - 2 prêmios
Direção de arte: Robert Stromberg (Production Design), Karen O'Hara (Set Decoration)
Figurino: Colleen Atwood
Efeitos visuais: Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas e Sean Phillips

Atração Perigosa (The Town) - 1 indicação
Ator coadjuvante: Jeremy Renner

Bravura Indômita (True Grit) - 10 indicações
Ator: Jeff Bridges
Atriz coadjuvante: Hailee Steinfeld
Direção de arte: Jess Gonchor (Production Design); Nancy Haigh (Set Decoration)
Fotografia: Roger Deakins
Figurino: Mary Zophres
Direção: Joel e Ethan Coen
Filme: Scott Rudin, Ethan Coen e Joel Coen
Edição de som: Skip Lievsay e Craig Berkey
Mixagem de som: Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff e Peter F. Kurland
Roteiro adaptado: Joel e Ethan Coen

127 horas (127 hours) - 6 indicações
Ator: James Franco
Edição: Jon Harris
Trilha sonora original: A.R. Rahman
Canção original: "If I Rise" (Música de A.R. Rahman; Letras de Dido e Rollo Armstrong)
Filme: Christian Colson, Danny Boyle e John Smithson (produtores)
Roteiro adaptado: Danny Boyle e Simon Beaufoy

Cisne Negro (Black Swan) - 5 indicações - 1 prêmio
Atriz: Natalie Portman
Fotografia: Matthew Libatique
Direção: Darren Aronofsky
Edição: Andrew Weisblum
Filme: Mike Medavoy, Brian Oliver e Scott Franklin (produtores)

Como treinar o seu dragão (How to Train Your Dragon) - 2 indicações
Animação: Chris Sanders e Dean DeBlois (diretores)
Trilha sonora original: John Powell

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2)
Efeitos visuais: Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright e Daniel Sudick

Inverno da Alma (Winter's Bone) - 4 indicações
Ator coadjuvante: John Hawkes
Atriz: Jennifer Lawrence
Filme: Anne Rosellini e Alix Madigan-Yorkin (produtores)
Roteiro adaptado: Debra Granik e Anne Rosellini

Minhas Mães e Meu Pai (The Kids are All Right) - 4 indicações
Ator coadjuvante: Mark Ruffalo
Atriz: Annette Bening
Filme: Gary Gilbert, Jeffrey Levy-Hinte e Celine Rattray (produtores)
Roteiro original: Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg

Namorados para Sempre (Blue Valentine) - 1 indicação
Atriz: Michelle Williams

O Discurso do Rei (The King's Speech) - 12 indicações - 4 prêmios
Ator: Colin Firth
Ator coadjuvante: Geoffrey Rush
Atriz coadjuvante: Helena Bonham Carter
Direção de arte: Eve Stewart (Production Design); Judy Farr (Set Decoration)
Filme: Iain Canning, Emile Sherman e Gareth Unwin
Fotografia: Danny Cohen
Figurino: Jenny Beavan
Direção: Tom Hooper
Edição: Tariq Anwar
Trilha sonora: Alexandre Desplat
Edição de som: Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley
Roteiro original: David Seidler

O Lobisomem (The Wolfman) - 1 indicação - 1 prêmio
Maquiagem: Rick Baker e Dave Elsey

O Mágico (L'Illusionniste) - 1 indicação
Animação: Sylvain Chomet

O Vencedor (The Fighter) - 7 indicações - 2 prêmios
Ator coadjuvante: Christian Bale
Atriz coadjuvante: Amy Adams
Atriz coadjuvante: Melissa Leo
Direção: David O. Russell
Edição: Pamela Martin
Filme: David Hoberman, Todd Lieberman e Mark Wahlberg (produtores)
Roteiro original: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson e Keith Dorrington (roteiro); Keith Dorrington, Paul Tamasy e Eric Johnson (história)

Salt - 1 indicação
Mixagem de som: Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan e William Sarokin

Toy Story 3 - 5 indicações - 2 prêmios
Filme: Darla K. Anderson (produtor)
Animação: Lee Unkrich (diretor)
Canção original: "We Belong Together" (Letra e música: Randy Newman)
Edição de som: Tom Myers e Michael Silvers
Roteiro adaptado: Michael Arndt (roteiro), história de John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich

Tron: o legado (Tron: Legacy)
Edição de som: Gwendolyn Yates Whittle e Addison Teague

Lista completa dos indicados:

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei

Título Original: The King's Speech (Inglaterra, Austrália, EUA , 2010)
Com: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Derek Jacobi, Michael Gambon, Guy Pearce, Claire Bloom, Tim Downie, Timothy Spall, Robert Portal, Richard Dixon, Paul Trussell, Adrian Scarborough, Andrew Havill, Charles Armstrong e Roger Hammond
Direção: Tom Hooper
Roteiro: David Seidler
Duração: 118 minutos

Nota: 5 (excelente)

Confesso que quando soube da existência do filme “O Discurso do Rei” parecia ser mais um drama de época, mas após ver o trailer vi que o tom entre drama e comédia parecia ser interessante. Após assistir ele realmente me surpreendeu com uma ótima história e excelentes atuações.

Os ingleses estão fazendo filmes sobre seus monarcas, mostrando um pouco dos bastidores de suas vidas. Aqui temos algo parecido com o que foi feito em “A Rainha”, mas com um tom menos documental, mas tão intimista como.

Na história temos o futuro rei George IV (Colin Firth) que tenta resolver seu problema de gagueira. Após tentar vários médicos e métodos diferentes, sua esposa Elizabeth (Helena Bonham Carter) encontra um sujeito com métodos nada ortodoxos. Esse cara é Lionel Logue (Geoffrey Rush).

Curioso é o fato do roteirista do filme David Seidler também ter sofrido de gagueira na sua juventude. Interessante ele mostrar sob o ponto de vista de um famoso nobre o quanto esse problema pode atrapalhar a vida das pessoas, suas origens e o mais importante, existe cura.

O mais importante mesmo da trama é a relação entre George e Lionel. Ela é que carrega o filme e o diretor acertou muito bem em deixar a responsabilidade para que o filme funcionasse nas mãos dos atores. A atuação de Colin Firth é sensacional e o grande destaque, mas Geoffrey Rush também está muito bem.

Por mais que o filme não mostre grandes novidades em sua trama, como mostrar a intimidade da monarquia e também o monarca como uma pessoa comum, a maneira como a história é contada e as excelentes atuações, principalmente da dupla de protagonistas, o transformam num grande filme.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Paramore

Dia: 16 de fevereiro de 2011
Local: Ginásio Nilson Nelson – Brasília – DF
Fotos tiradas do site do Correio Braziliense

O ano de 2011 promete na parte musical. Só agora no 1º semestre temos muitas atrações internacionais interessantes passando no Brasil. Para começar bem o ano tivemos o show do Paramore. A banda se apresentou pela 2ª vez no país, dessa vez divulgando o seu 3º disco chamado “Brand New Eyes”.

Eles ficaram bastante conhecidos após ter uma música na trilha sonora do filme “Crepúsculo” chamada “Decode” (que obviamente esteve presente no repertório). Mas eu só conheci a banda através de um amigo ouvindo o 2º cd chamado “Riot”.

Obviamente a maioria absoluta do público era adolescente, ainda mais que o show do Green Day. E eu ainda fui de “tiozão” acompanhando a irmã de uma amiga minha que tem 15 anos e é fanática pela banda. Foi bom que pelo menos não fui sozinho.

Pontualmente às 21 horas as luzes se apagaram e a banda subiu ao palco ao som ensurdecedor do público. Abriram o show com “Ignorance”, do último cd, levando o público ao delírio.

A vocalista Hayley Williams é muito simpática e conversou bastante com o público, além de agitar bastante. Ela passou o show quase todo “batendo cabeça” parecendo uma metaleira. Não podiam faltar os clichês que sempre conquistam o público brasileiro: falar alguma coisa em português (no caso rolou um “obrigado”) e aparecer com a bandeira do Brasil. Pronto, a platéia estava mais do que conquistada agora.

O repertório contou com músicas dos 3 cds e a maioria eram “fast songs”, como disse a Hayley durante o show. Mesmo assim a apresentação contou também com uma parte mais intimista com algumas músicas em clima acústico. Depois disso eles voltaram a “programação normal” e a Hayley pediu para quem estava na arquibancada se levantar porque show do Paramore não é para se assistir sentado.

Os mais fanáticos ainda tiveram a chance de conferir em primeira mão uma nova música chamada “In The Mourning” que havia sido disponibilizada no site da banda. Mas obviamente não podiam faltar hits como “That's What You Get”, “Crushcrushcrush” e “The Only Exception” (cantada em coro pela platéia).

Recentemente a banda perdeu 2 integrantes: os irmãos Zac (bateria) e Josh Farro (guitarra). Mas ao vivo os integrantes remanescentes (além de Hayley, o baixista Jeremy Davis e o guitarrista Taylor York) junto com os novos (o baterista Josh Freese e o guitarrista Justin York, irmão de Taylor) deram conta do recado na apresentação e não deixaram os fãs sentirem falta dos integrantes.

No final uma menina da platéia foi escolhida para subir no palco e cantar junto a banda a música “Misery Business”. Visivelmente bem nervosa ela nem conseguiu cantar direito, mas em ter ficado lado a lado com o resto da banda já deve ter sido suficiente para ela.

Um ótimo show que abriu bem o ano. Ainda vem por aí Cindy Lauper, Shakira, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, U2 e Muse em São Paulo e Motorhead. Esses são os que eu já estou com ingresso comprado e só o 1º semestre.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Vencedor

Título Original: The Fighter (EUA , 2010)
Com: Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Robert Wahlberg, Melissa Leo, Dendrie Taylor, Jack McGee e Sean Patrick Doherty
Direção: David O. Russell
Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson e Keith Dorrington
Duração: 115 minutos

Nota: 4 (ótimo)

O boxe é um esporte bastante utilizado pelo cinema americano para contar histórias de superação. “O Vencedor” podia ser apenas mais um nessa lista, mas apesar da história ser bastante clichê um ótimo roteiro e excelentes atuações fazem com que ele se torne um filme muito bom.

O diretor David O. Russell estava um pouco sumido sem fazer filmes desde 2004. Aqui ele volta a trabalhar com Mark Wahlberg. Eles haviam feito “Três Reis”, filme de maior sucesso do diretor até então. E Wahlberg além de ser o protagonista, também é produtor do filme.

Na história temos 2 irmãos: Dicky Ecklund (Christian Bale), ex-lutador que conseguiu uma certa fama mas perdeu a sua chance, e Micky Ward (Mark Wahlberg) que tenta seguir os passos do irmão mais velho no boxe. No meio deles temos a mãe (Melissa Leo) como empresária e Dick é o treinador. O problema é que Dick tem problemas com drogas e a mãe passa a mão na cabeça dele sem dar a atenção devida a carreira de Micky, que após conhecer uma garota (Amy Adams) resolve tentar seguir a carreira sem o irmão e mãe.

A trama é baseada em fatos reais e apesar dos clichês do gênero o filme consegue emocionar e divertir, equilibrando bem o tom entre a comédia e o drama sem nunca exceder para nenhum dos dois lados. O roteiro é muito bom e a história ganha ainda mais força com as atuações. Bale está fantástico e rouba a cena sempre que aparece. Seu personagem não é o principal, mas a história gira em torno dele. Melissa Leo também está muito bem no papel da mãe. Amy Adams também está bem, mas nem se compara com os outros dois.

Já o personagem de Wahlberg é um pouco mais sem graça e tenha menos força e carga dramática que os outros, então sua atuação acabou não chamando a atenção da academia, mas como ele é produtor do filme ganhou a indicação por melhor filme.

As cenas de luta são poucas, mas são bem reais. Eles filmaram tudo num fim de semana e chamaram câmeras de lutas de boxe para filmar, já que eles filmam as lutas ao vivo e não perdem nenhum lance. Claro que temos algumas câmeras lentas para dar maior “dramaticidade” as lutas.

O resultado é um ótimo filme, que por mais que seja clichê mesmo assim consegue contar uma boa história sem apelar para o melodrama e apresentar ótimos personagens com excelentes atuações.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita

Título Original: True Grit (EUA , 2010)
Com: Matt Damon, Josh Brolin, Jeff Bridges, Barry Pepper, Hailee Steinfeld, Domhnall Gleeson, Dakin Matthews, Paul Era e Ed Corbin
Direção e Roteiro: Joel e Ethan Coen
Duração: 110 minutos

Nota: 4 (ótimo)

Os irmão Coen são diretores que já exploraram diversos gêneros no cinema, sempre mantendo a seu estilo de direção. Em “Bravura Indômita” eles apostam no faroeste, gênero que já foi condenado a extinção, mas que sempre acaba voltando.

Esse é o segundo filme baseado no romance de Charles Portis, o primeiro de mesmo nome é um clássico do gênero estrelado por John Wayne. Mas os Coen não fizeram um remake, mas sim uma nova visão da história sob seu ponto de vista. Talvez esse seja o filme mais tradicional feito por eles, mas algumas de suas marcas como o humor e o cinismo.

A história mostra uma menina de 14 anos chamada Mattie Ross (Hailee Steinfeld) em busca de vingar a morte do seu pai. Ela contrata um federal chamado Cogburn (Jeff Bridges) para ir em busca do assassino contanto que ela possa ir junto. Juntam-se a eles o ranger texano LaBoeuf (Matt Damon), que também busca pelo mesmo homem que cometeu um crime em seu estado.

A trama pode parecer simples, mas ganha muita força graças a força e carisma dos personagens principais, ainda mais com atuações bem marcantes. A estreante Mattie Ross está excelente e faz com que o filme funcione muito bem. Bridges volta a trabalhar com os Coen e mostra uma atuação também brilhante. O mais contido é Damon, mas seu papel é menor e tem uma menor carga dramática, mas mesmo assim também está muito bem.

O resultado é mais um grande trabalho dos irmãos Coen. Confesso que não sou fã de faroeste e não assisti o filme de 1969, mas mesmo assim gostei bastante do filme. Talvez se eu curtisse o gênero tivesse gostado mais, mas mesmo assim é um ótimo filme que vai além dos clichês e até ironiza um pouco o mito do cowboy.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cisne Negro

Título Original: Black Swan (EUA , 2010)
Com: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo e Kristina Anapau
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin
Duração: 108 minutos

Nota: 3 (bom)

Os filmes do diretor Darren Aronofsky sempre exploram o limite do ser humano e o quanto isso afeta o seu lado psicológico confundindo a realidade com a imaginação. Ele fez isso muito bem em “Pi” e em “Requiem para um sonho”, seus primeiros trabalhos. Em seguida ele resolveu transformar uma simples história de amor numa péssima e complicada viagem chamada “Fonte da vida”. Ele então voltou a simplicidade e entregou o excelente “O Lutador”.

Agora em “Cisne Negro” ele tentou achar um meio termo, resultando em algo melhor do que ‘Fonte’, mas longe dos seus outros trabalhos. O que pesou mais uma vez foi tentar pegar uma história simples da busca pela perfeição de uma bailarina, transformando num terror psicológico “complexo” sem necessidade.

O grande problema é o roteiro, tanto que ele não está entre as 5 indicações ao Oscar recebida pelo filme. A história começa devagar, tentando criar um clima ao ir mostrando aos poucos a personagem principal perdendo a cabeça. Isso porque ela foi escolhida para o papel principal do famoso “Lago dos Cisnes”, onde ela terá que fazer o cisne branco e o negro. Nina (Natalie Portman) é uma menina certinha, ideal para o “lado branco”, mas terá problemas em conseguir mostrar seu “lado negro”. Aí é que ela começa a perder a cabeça.

Acompanhamos então a “loucura” da personagem sem saber ao certo o que está acontecendo, se é real ou não. Ao entrar nesse lado de suspense e terror é que o filme se perde de vez. Até mesmo a história do “Lago dos Cisnes” é deixada de lado, apenas explorando o que viria a ser o cisne negro, mas não o porquê dele.

No final das contas fica apenas a história de uma “bailarina doidinha” em busca da perfeição, algo simples transformando numa coisa complicada e cheia de estilo. Em compensação Natalie Portman se entrega de vez a personagem numa incrível atuação que é sem dúvidas o grande destaque do filme e que faz com que ele tenha qualidade.

Inclusive tenho que confessar que no final do filme [SPOILER] tive um ataque de risos em como a história termina tão ao pé da letra sem necessidade. [FIM DO SPOILER] Mesmo assim o filme é bom, tem bons momentos, principalmente graças a performance de Portman e também da participação especial de Winona Ryder com direito até a umas piadas internas. Espero que em seu próximo filme Aronofsky não complique tanto as coisas sem necessidade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Minhas Mães e Meu Pai

Título Original: The Kids are All Right (EUA , 2010)
Com: Julianne Moore, Annette Bening, Josh Hutcherson, Mia Wasikowska, Mark Ruffalo, Yaya DaCosta, Kunal Sharma, Eddie Hassell, Rebecca Lawrence e Joaquín Garrido
Direção: Lisa Cholodenko
Roteiro: Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg
Duração: 104 minutos

Nota: 4 (ótimo)

Confesso que quando vi o trailer de “Minhas Mães e Meu Pai” parecia ser um filme fraco que misturava comédia com drama. Com o passar do tempo ele foi ganhando indicações a algumas premiações culminando com 4 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme. Então resolvi correr atrás para assistir e ele realmente tem qualidade.

A história uma típica família moderna americana se não fosse o detalhe do casal serem 2 lésbicas. Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore) são casadas há 20 anos e tem 2 filhos: Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson), gerados a partir de um mesmo doador de sêmen onde cada uma deu a luz a uma criança .

A menina acaba de completar 18 anos e está prestes a sair de casa indo para faculdade. O irmão mais novo pede então para ela procurar a clínica de inseminação para descobrir quem foi o doador. Então entra em cena Paul (Mark Ruffalo). Aparentemente estava tudo bem com a família, mas a presença do “pai” irá mexer com a estabilidade dela.

A trama não traz nenhuma novidade, mas o grande diferencial mesmo é o seu excelente elenco. As mães estão muito bem, mas Annette acaba se destacando mais com uma atuação mais firme. Além disso, o roteiro mantém bem um clima entre drama e comédia sem exageros. Tudo para que o foco fique nos personagens sem nada desnecessário para tirar a atenção da trama.

O resultado é um ótimo filme que retrata muito bem as dinâmicas familiares atuais e que graças ao elenco e ao roteiro consegue ir além do lugar comum fazendo um filme acima da média apesar de não ter nenhuma novidade.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Mágico

Título Original: L'Illusionniste (França / Reino Unido , 2010)
Direção: Sylvain Chomet
Roteiro: Sylvain Chomet e Jacques Tati
Duração: 90 minutos

Nota: 4 (ótimo)

O diretor francês Sylvain Chomet, consagrado pela animação “As Bicicletas de Belleville”, está de volta com um novo filme chamado “O Mágico”. Ele aproveitou um roteiro escrito por um famoso ator francês chamado Jacques Tati, que é considerado o Charles Chaplin francês, morto em 1982.

A melhor palavra para se descrever essa animação é nostalgia. O mesmo clima de animação retro de ‘Belleville’ é utilizado, além de quase não existirem diálogos. Eles não são necessários porque assim como nos filmes mudos a narrativa flui com personagens bastante vivos que se expressam muito com gestos e o corpo junto com cenários dinâmicos. Tanto que as cópias exibidas no Brasil nem tem legendas (mas tem uma frase que aparece no final escrita em inglês que seria bom se aparecesse uma tradução).

A história se passa nos anos 60 e mostra o conflito entre o novo e o antigo. O mágico, personagem principal, representa o antigo e tenta seguir sua carreira onde cada vez mais perde espaço para artistas mais atuais como as bandas de rock. Durante uma apresentação ele conhece uma menina que se encanta com seus truques e resolve seguir com ele durante sua turnê. Sem ter como continuar agradando a menina ele resolve arrumar outros empregos.

Somos apresentados também a outros personagens que são artistas e sofrem como o mágico. Eles são ventríloquos, trapezistas e palhaços, todos também arrumando outras maneiras de sobreviver sem abandonar seus ofícios.

O filme é uma bela homenagem ao Jacques Tati e retrata muito bem o clima de nostalgia francês, tanto em seus personagens como na beleza da animação retro ao retratar cidades como Paris, Londres e Edimburgo. Sem dúvidas é uma animação voltada para o público adulto e bem diferente das atuais, mas que consegue hipnotizar, emocionar e fazer rir.

Mais uma vez o diretor Sylvain Chomet conseguiu uma indicação ao Oscar na categoria animação, mas dificilmente conseguirá levar o prêmio já que está concorrendo com “Toy Story 3”.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Turista

Título Original: The Tourist (EUA , 2010)
Com: Angelina Jolie, Johnny Depp, Paul Bettany, Rufus Sewell, Steven Berkoff e Timothy Dalton
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
Roteiro: Florian Henckel von Donnersmarck, Christopher McQuarrie e Julian Fellowes baseado no roteiro de Jérôme Salle do filme “Anthony Zimmer”
Duração: 103 minutos

Nota: 1 (ruim)

O filme “O Turista” tinha tudo para ser interessante, a começar pelos envolvidos no filme. Primeiro a reunião dos protagonistas Angelina Jolie e Johnny Depp juntos pela primeira vez. Além disso, o diretor alemão Florian Henckel Von Donnersmarck (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007 com "A vida dos outros") e os roteiristas Christopher McQuarrie ("Os suspeitos") e Julian Fellowes ("Assassinato em Gosford Park"). Some isso com belas cidades como Paris e Veneza como pano de fundo, então tinha tudo para dar certo. Infezlimente não é o que se vê na tela.

O principal problema é o roteiro. A história até tem uma premissa interessante no qual uma mulher (Jolie) é investigada, pois seu ex-amante roubou dinheiro de um gangster e sonegou impostos. Ela então recebe uma carta com instruções dele para embarcar num trem e escolher alguém parecido com ele para enganar a polícia. Sobre então para o pobre Frank (Depp), um turista americano, se envolver na confusão.

Até aí tudo bem, o filme poderia explorar bem o clima de espionagem e romance misturando cenas de ação e um pouco de comédia. Ele até tenta fazer isso, mas falha completamente. Os protagonistas não têm muita química e carisma juntos, então a fragilidade do roteiro começa a falar mais alto. Os absurdos e buracos da história começam a ganhar força, principalmente nas reviravoltas da trama. Aí o filme desce ladeira abaixo.

A cara de um dos personagens do filme no final com uma cara de “como assim, esse filme não faz sentido nenhum” é constrangedora e reflete bem a reação da audiência após o final do filme. Podia ter sido pelo menos divertido, mas nem isso ele consegue. Uma pena!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Atração Perigosa

Título Original: The Town (EUA , 2010)
Com: Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm, Jeremy Renner, Blake Lively, Pete Postlethwaite, Chris Cooper e Titus Welliver
Direção: Ben Affleck
Roteiro: Ben Affleck, Peter Craig e Aaron Stockard baseado no livro de Chuck Hogan (livro)
Duração: 123 minutos

Nota: 4 (ótimo)

Ben Affleck e Matt Damon começaram a carreira juntos ao escrever o roteiro do filme “Gênio Indomável” que lhes deu o Oscar na categoria, do qual eles também atuaram. Enquanto Damon teve uma carreira melhor, sabendo escolher seus filmes, Affleck seguiu pelo caminho mais fácil ao fazer alguns blockbusters de má qualidade.

Agora Affleck está tentando uma nova fase em sua carreira ao dirigir seu segundo filme chamado “Atração Perigosa”. E o desafio foi grande já que além de ser o diretor, ele também foi o protagonista e participou da elaboração do roteiro. O resultado é um ótimo filme, que não traz nenhuma novidade, mas é um drama policial acima da média.

Baseado no romance de chamado “The Prince of Thieves”, de Chuck Hogan, a história se passa em Boston, terra natal de Affleck, num bairro chamado Charlestown. O filme começa dizendo que esse bairro gera mais assaltantes de banco e carros forte nos EUA. Isso porque o “trabalho” é passado de pais para filhos.

Doug MacRay (Affleck) é o líder de um grupo de ladrões, mas ele está querendo largar essa vida. Durante um assalto a banco o grupo acaba levando Claire (Rebecca Hall de “Vicky Cristina Barcelona”), a gerente, como refém. O problema é eles descobrem depois que ela mora no mesmo bairro que eles e fica com medo que ela possa identificá-los de alguma maneira. Então cabe e Doug se aproximar dela para descobrir se ela sabe de algo. Enquanto isso o agente do FBI Adam Frawley (Jon Hamm, do seriado Mad Men) está vigiando o grupo em busca de evidências dos assaltos.

A história tem alguns clichês de filmes policiais, mas graças a um bom roteiro e um ótimo elenco de coadjuvantes, com destaque para Jeremy Renner (“Guerra ao Terror”) que vive o melhor amigo e membro do grupo de Doug, o filme acaba ganhando qualidade e saindo do lugar comum. A atuação de Renner inclusive rendeu ao ator indicação de ator coadjuvante no Oscar.

Affleck está de parabéns em sua nova fase da carreira, espero que continue assim escolhendo bem seus próximos trabalhos. Tenho inclusive que conferir seu outro filme como diretor chamado “Medo da Verdade”.