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terça-feira, 21 de agosto de 2012

O Vingador do Futuro

Título Original: Total Recall (EUA , 2012)
Com: Colin Farrell, Kate Beckinsale, Jessica Biel, Bryan Cranston, John Cho, Bill Nighy, Bokeem Woodbine, Will Yun Lee, Milton Barnes, James McGowan e Natalie Lisinska
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Kurt Wimmer e Mark Bomback
Duração: 118 minutos

Nota: 1 (ruim)

Resolvi encarar com a mente aberta esse remake de “O Vingador do Futuro”. Sou fã do filme original de 1990 estrelado por Arnold Schwarzenegger e dirigido por Paul Verhoeven, então fiquei curioso pra saber o que iriam fazer nessa nova versão. Mas infelizmente o resultado é um filme bem genérico de ficção científica que busca “inspiração“ em vários outros filmes do gênero resultando em algo totalmente sem graça. E o pior de tudo, tentaram fazer um filme bem diferente, mas que na verdade é basicamente a mesma coisa só que piorado.

A fonte de inspiração do filme é o conto "Lembramos Para Você A Preço de Atacado" de Philip K. Dick, autor cuja obra já serviu de inspiração para vários filmes como “Blade Runner” e “Minority Report”, só pra citar alguns. O legal do conto e do filme original era a questão sobre o implante de memória, sobre o que é real ou não, tanto que o final do filme e do conto ainda deixavam um pouco em aberto se os acontecimentos realmente teriam acontecido ou se eram apenas imaginação do protagonista. Na nova versão isso fica praticamente de lado em nome de cenas de ação. O filme é praticamente um “corre corre” com desculpas para cenas de ação que parecem um jogo de videogame sem interatividade e sem graça com excesso de efeitos especiais.

Na trama num futuro pós-apocalíptico a Terra só ficou com 2 áreas habitáveis: Federação Britânica Unida e a Colônia. Então enquanto a 1ª explora a 2ª, a 2ª tem rebeldes que lutam pela liberdade. Então temos Doug (Colin Farrell), um operário padrão que vive supostamente feliz com sua esposa. Mas um sonho pertuba a vida do rapaz que cansado da sua vida comum resolve ir até a Rekall em busca de novas memórias. Ele acaba então descobrindo que seus sonhos são na verdade lembranças e que sua vida é uma farsa. Começa então a fuga dele em busca da verdade.

O visual da Colônia é muito parecido com o criado em “Blade Runner”. Está sempre chovendo e noite com toques da cultura oriental. É engraçado quando o protagonista vê uma propaganda num outdoor gigante sobre a Rekall e o lugar é uma verdadeira espelunca difícil de ser encontrada. E a experiência do implante de memória não é vendida como uma viagem de férias ou algo do tipo, mas como uma espécie de novo tipo de droga que mexe com a química do cérebro. Isso aí mata de vez a história ao alterar a premissa básica do conto. Pode até parecer besteira, mas isso influência bastante o desenrolar da história. Não fica aquela dúvida quando Quaid chega lá se a partir daquele ponto o resto é real ou não. Ele apenas descobre que sua vida é uma farsa e pronto. O mais engraçado é mais pra frente da história isso é colocado em dúvida, se aquilo é real ou não, mas não existe dualidade nenhuma na coisa e acaba soando totalmente forçado.

É triste também ver umas referências pop ao filme original que não passam de piadas sem graça com a tentativa de agradar os fãs, mas que são totalmente bizarras. Como por exemplo a aparição do nada de uma mulher com 3 seios que soa totalmente ridícula já que os mutantes foram excluídos dessa nova versão.

Talvez as cenas de ação pudessem salvar o filme, mas elas são muito pouco inspiradas e totalmente artificiais, apesar de razoavelmente bem realizadas. O elenco também conta com algumas participações de nomes interessantes mas que são pouco explorados ou não estão muito inspirados como  Bryan Cranston (Drive), John Cho (Star Trek) e Bill Nighy (Fúria de Titãs 2).
Eu poderia escrever muito mais falando dos problemas do filme fazendo uma comparação com o filme original e o conto, mas acho que vocês já entenderam o que eu queria dizer. Remakes sempre passam por esses problemas. Você pode reclamar que ficou igualzinho e por isso é ruim, ou dizer que não presta porque ficou totalmente diferente. Mas se é pra transformar a história numa coisa genérica e sem graça, melhor correr atrás das fontes de inspiração.
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