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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Título Original: No (Chile , 2012)
Com: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Antonia Zegers, Néstor Cantillana, Luis Gnecco, Alejandro Goic e Jaime Vadell
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Pedro Peirano
Duração: 118 minutos


Nota: 5 (excelente)

O diretor chileno Pablo Larraín encerra sua trilogia sobre Pinochet com o filme “No”. Infelizmente não assisti os outros 2: "Post Morten" e "Tony Manero", mas agora estou bastante curioso para conferir.

Nessa última parte ele fala sobre o plebiscito ocorrido em no Chile em 1988 ordenado pelo então “presidente“ Pinochet no qual a população iria decidir se ele teria direito ou não de permanecer no poder. Ele estava lá desde 1973 e tentava dessa forma legitimar diante da opinião internacional sua permanência na presidência do país.

A trama fala justamente sobre essa campanha. Tanto o “Sim” quanto o “Não” teriam 15 minutos na TV por dia durante mais ou menos 1 mês para convencer a população. Aí entra em cena o personagem René Saavedra (Gael García Bernal), um publicitário que tinha sido exilado e volta ao Chile onde tem uma ótima carreira. Ele é convocado pelo comitê do “Não” para ajudar na campanha, mas terá que convencê-lo a usar o seu talento na publicidade para fazer uma campanha “moderna” para conseguir fazer efeito na população.


Larraín usa um excelente recurso técnico para ajudar na recriação de época. Ele filmou o filme usando o suporte "U-matic ¾", que foi bastante utilizado pela televisão para fazer comerciais no final dos anos 80. Dessa forma as imagens da história se confundem com os comerciais da época em que a trama se passa, já que são utilizadas os comerciais reais da campanha. Isso cria um efeito muito interessante de imersão na história.


O filme mostra muito bem o retrato da época e da situação do Chile. Um momento histórico da história do país e do mundo. O personagem de Gael personifica bem o cidadão médio do país dividido entre o medo, conformismo e a vontade de mudança. A discussão sobre a melhor maneira de se conduzir a campanha é muito boa. Afinal de contas propaganda política é a mesma coisa que a propaganda de um produto? E os horrores do passado da época do golpe militar devem ser esquecidos?
A discussão é muito boa e o filme é um excelente trabalho tanto na parte técnica, graças ao recursos citados utilizados, como na parte de roteiro e atuações. Gael foi uma escolha perfeita para o papel. E o roteiro contextualiza bem a época com uma pequena introdução sobre o período. O resultado é um excelente filme que entra em questões e discussões sociopolíticas sem soar chato ou pretensioso, retratando muito bem a importância desse plebiscito na história do país.
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