propaganda

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Em Transe

Título Original: Trance (Reino Unido , 2013)
Com: James McAvoy, Vincent Cassel, Rosario Dawson, Matt Cross, Wahab Sheikh, Danny Sapani e Tuppence Middleton
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Joe Ahearme e John Hodge
Duração: 101 minutos


Nota: 5 (excelente)

É difícil definir um padrão na filmografia de Danny Boyle. Seus filmes sempre tratam de temas bem diferentes (Quem Quer Ser um Milionário?, Caiu do céu, Extermínio, Sunshine, 127 Horas). Talvez o que siga uma linha seja a parte visual sempre inovando em questões estéticas de fotografia e edição. Seu último trabalho “Em Transe” é uma mistura de filme de roubo com drama psicológico.

Na trama temos um funcionário de uma casa de leilões (James McAvoy) que colabora com bandidos para realizar o roubo de uma obra de arte. Durante a ação ele leva uma pancada de cabeça e perde uma parte da memória. Acontece que o quadro sumiu e ele é o único que sabe o que aconteceu. Então o líder da bandidos (Vincent Cassel), que acha que ele está escondendo alguma coisa, contrata um hipnotizadora (Rosario Dawson) para tentar recuperar a informação da cabeça dele.

Saber mais do que isso sobre a trama pode estragar alguma das surpresas da história. Obviamente que como estamos falando de explorar a mente humana, então temos uma deixa para Boyle brincar com o público com isso. Tem aqueles momentos de saber se determinada coisa está acontecendo mesmo ou se é apenas dentro da mente do personagem. Então ninguém melhor do que Boyle para brincar com essa viagem ao estado alterado da mente justamente com o uso da parte estética citada no início do texto.

Mas para tudo funcionar bem o elenco também tinha que ajudar e o trio de protagonistas  McAvoy, Cassel e Dawson está muito bem. Boyle começou no teatro então ele valoriza bastante a interpretação do seu elenco e o trabalho com os atores.

Curiosamente o filme foi realizado em 2 etapas. Em 2011 eles filmaram, aí Boyle fez uma pausa para se dedicar a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Londres de 2012, para então após o evento voltar para terminar o filme. Na tela nem se nota algum problema de falta de ritmo ou homogeneidade no resultado final.

Outra curiosidade é que o roteiro tinha sido apresentado a Boyle na década de 90 pelo roteirista Joe Ahearme, mas na época ele achou muito arriscado. Ahearme seguiu em frente e fez uma versão para televisão em 2001. Anos depois os 2 voltaram a conversar e aqui estamos.

Talvez o filme não explore de maneira tão real assim a questão da hipnose, mas a forma como a narrativa é tão bem construída e divertida acaba deixando isso ser relevado. Tudo começa freneticamente com a cena do roubo, mas depois começa a parte mais psicológica. E o roteiro surpreende com reviravoltas bem interessantes e tudo pode acontecer. O final é bem absurdo e inesperado, deixando um pouco em aberto o que realmente aconteceu. Parece que quem estava em transe era quem estava assistindo.
Postar um comentário