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domingo, 6 de outubro de 2013

Amor Pleno

Título Original: To The Wonder (EUA , 2012)
Com: Ben Affleck, Olga Kurylenko, Javier Bardem, Rachel McAdams, Romina Mondello, Charles Baker, Cassidee Vandalia e Darryl Cox
Direção e Roteiro: Terrence Malick
Duração: 112 minutos


Nota: 1 (ruim)

Sem dúvidas o diretor Terrence Malick é um caso bastante peculiar no cinema. Fez apenas 6 filmes em 40 anos de carreira. Seu estilo de narrativa é daqueles que agrada alguns e entedia os outros pelo jeito meio poético e contemplativo. Eu particularmente fico em cima do muro. Esse é apenas o 3º filme que eu assisto. Gosto muito de “Além da linha vermelha” e acho “A Árvore da Vida” apenas ok. Mas em “Amor Pleno” ele errou totalmente a mão.

Malick sempre escreve seus próprios roteiros e aqui ele segue a mesma linha pessoal do seu filme anterior. A trama é baseada em sua experiência de vida. Temos um americano (Ben Affleck) que se apaixona por uma francesa (Olga Kurylenko) durante uma viagem e eles decidem morar juntos no interior dos EUA, aí a situação complica.

A ideia do roteiro é boa ao não mostrar muitos diálogos e tentar se concentrar no sentimento em si. O diretor não entregava falas para os atores, apenas explicava a situação e pedia para eles tentarem reproduzir. Inicialmente até funciona, mas o excesso de narração em off acaba estragando essa sensação ao irritar e não acrescentar muito a imagem. Para mim esse é o grande problema do filme.

Como os diálogos são deixados de lado, então fica a “piada” da comunicação além das línguas já que temos o americano, a francesa e por acaso o padre é espanhol (talvez por simples comodidade já que Bardem é espanhol), tendo até um momento que aparece um grupo na rua se comunicando por linguagem de sinais. Isso acaba soando forçado e desnecessário.

Outro problema são os personagens. Além do casal citado, temos também um padre (Javier Bardem) e uma outra mulher (Rachel McAdams) do passado do personagem de Affleck que surge como novo interesse romântico dele. Eles acabam levando a trama para outros caminhos sem muito desenvolvimento e acabam atrapalhando mais do que acrescentando, principalmente o padre.

O grande destaque do filme é a fotografia. Malick tem um incrível talento de conseguir captar a natureza junto com seus personagens. Mas isso não salva o filme do fracasso. Apesar das belas imagens, a narrativa não ajuda e o desenvolvimento dos personagens é emocionalmente insatisfatório. É possível enxergar na tela os sentimentos, mas a contextualização da situação não ajuda. Vemos que, por exemplo, os personagens estão apaixonados, mas nunca se sabe exatamente a razão. No final fica uma sensação vazia e artificial.

É uma pena ver uma boa ideia ter um resultado final tão frustrante e em alguns momentos irritante. Talvez Malick tenha caído nas armadilhas do seu próprio estilo de filmar. Vai filmando e no final na hora da edição tenta montar uma história. Quem sabe assim se explique, por exemplo, a presença do padre. Ele enxergou algo ali com potencial, mas dentro do contexto do filme não funcionou.
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