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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ninfomaníaca - Parte 2

Título Original: Nymphomaniac - Volume II (Dinamarca / Alemanha / França / Bélgica / Reino Unido , 2014)
Com: Charlotte Gainsbourg, Stacy Martin, Stellan Skarsgård, Shia LaBeouf, Jamie Bell, Mia Goth, Willem Dafoe, Michael Pass, Jean-Marc Barr e Ananya Berg
Direção e Roteiro: Lars von Trier
Duração: 123 minutos 

Nota: 4 (ótimo)

Lars von Trier fecha sua história sobre Joe, uma viciada em sexo, em “Ninfomaníaca - Parte 2”. Agora após assistir as duas partes do filme já é possível afirmar que o filme é realmente ótimo. Um filme em que o diretor mostra sua visão feminista ao mostrar uma trama sobre os desejos femininos num mundo que ainda é extremamente machista.


Basta pensar em uma das passagens do filme quando o personagem Seligman (Stellan Skarsgård), o solitário homem que encontra Joe no meio da rua ensanguentada e resolve ajudá-la, comenta que caso a história da ninfomaníaca fosse sobre um homem não teria problema nenhum. Afinal de contas um homem que sai por aí fazendo sexo com várias mulheres diferentes e coisas do tipo não tem nada de “anormal”.

Estamos em 2014, um ano em que parece que estamos mais próximos do retrocesso do que avanço em alguns sentidos ao perceber que temos marchas para a família e coisas do tipo. Então só assim para ainda enxergar alguma “polêmica” em cenas que mostram genitálias masculinas e discussões acerca da sexualidade feminina.

Como vimos na primeira parte do filme Joe perdeu a sua vontade sexual ao resolver assumir seu amor apenas por um homem. Então aqui iremos acompanhar como ela irá lidar com isso. Conseguirá ela seguir uma vida “normal” como dona de casa, mãe e fiel ao seu marido? É interessante ver as coisas que ela irá fazer em busca da volta ao prazer. Afinal de contas como um ser humano consegue viver ao tentar reprimir os seus desejos sexuais?

Nisso o personagem de Seligman se torna ainda mais interessante ao assumir sua “assexualidade”, então ele é a pessoa perfeita para ouvir a história de Joe e conseguir julgar se suas atitudes estão certas ou não por ele não ter preconceitos pré-concebidos.

Essa segunda parte segue o mesmo estilo da primeira ao dividir a história em capítulos e cada um tendo algum tipo de referência pop para melhorar o entendimento da trama. Assim o diretor mostra mais uma vez todo a sua “edudição” ao citar diversos temas dos mais pop aos mais complexos. Aqui o ritmo é um pouco mais irregular, mas pensando no filme como um tudo o negócio funciona. E a primeira parte é mais experimental na parte técnica tipo fotografia e edição.
O final tenta causar um pouco de impacto, mas não funciona de maneira tão forte. Ainda assim funciona e consegue ser interessante. Não espere algum tipo de lição de moral ou explicação sobre o tema. Apenas uma história sobre os desejos sexuais femininos e o quanto isso ainda é tão “polêmico” mostrando o quanto a nossa sociedade ainda precisa muito avançar nesse tema.
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