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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Interestelar

Título Original: Interstellar (EUA/Reino Unido , 2014)
Com: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Wes Bentley, David Gyasi, Topher Grace, John Lithgow, Mackenzie Foy, Jessica Chastain, Casey Affleck, William Devane, Ellen Burstyn e Michael Caine
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Cristopher Nolan e Jonathan Nolan
Duração: 169 minutos

Nota: 3 (bom)

Christopher Nolan é um dos meus diretores favoritos e um dos motivos é o fato dele conseguir fazer grandes filmes de Hollywood que conseguem ser ao mesmo tempo divertidos e também inteligentes. Nisso seus maiores triunfos são a trilogia do Batman (1, 2 e 3) e “A Origem”. O meu filme favorito ainda é “Amnésia”. Quando “Interestelar” foi anunciado é claro que se criou uma grande expectativa. Dessa vez ele iria fazer um filme sobre uma viagem espacial que diziam poderia ser o novo “2001 - Uma odisséia no espaço” de Stanley Kubrick. Obviamente isso é exagero! A verdade é que temos aqui um filme bastante ambicioso, mas que infelizmente não consegue alcançar toda a sua ambição.


A ideia do filme é muito boa. Estamos num futuro alternativo no qual o planeta Terra tenta sobreviver com poucos recursos naturais. Agora a profissão mais importante é ser fazendeiro e a tecnologia não é mais muito importante. Iremos conhecer a família de Cooper (Matthew McConaughey). Ele é um ex-piloto que agora vive como fazendeiro. Para não estragar muito a história, digamos que em determinado momento ele terá que decidir entre ficar com sua família ou embarcar numa missão espacial para tentar salvar o mundo correndo o risco de talvez nunca mais ver seus 2 filhos. 

Mais do que um filme sobre exploração espacial, temos também uma história sobre família e sobre o que é ser um pai. Isso é bem interessante, principalmente a relação entre papai Cooper e sua filha Murph (versão jovem por Mackenzie Foy e versão adulta por Jessica Chastain). Talvez não seja muito o estilo de Nolan considerando sua filmografia que prima mais pelo realismo e a razão do que a emoção. Descobri após assistir o filme que na verdade o irmão de Nolan, Jonathan (colaborador constante nos roteiros dos filmes de Christopher), havia escrito o roteiro para Steven Spielberg dirigir. E realmente faz todo o sentido por causa do núcleo familiar. Após o diretor desistir do projeto ele o ofereceu ao irmão e eles reescreveram o roteiro. A parte familiar ficou, mas entrou o lado realista.
Nolan utilizou as teorias do físico Kip Thorne, que serviu de consultor, para criar uma história em que o realismo é importante. Então foram usados algoritmos da física para se criar os buracos negros e de minhoca. O resultado dos efeitos visuais são muito bons, como sempre. Mais uma vez o diretor misturou bem efeitos práticos com visuais como sempre faz em seus filmes para criar algo mais realista. E a parte técnica realmente impressiona. Nisso apenas o som as vezes desliza por em alguns momentos ficar praticamente impossível ouvir o que os atores estão falando. Mas as partes silenciosas do espaço são muito boas. Com certeza durante a produção Nolan deve ter pensado que após “Gravidade” ia ser complicado filmar o espaço, mas ele conseguiu se sair bem.

A história é basicamente dividida em 3 partes: a apresentação da família e da situação da Terra, a exploração espacial e a conclusão. Todas as partes tem problemas, mas é na conclusão que o filme acaba se perdendo um pouco ao dar uma solução mais “emotiva” e “fantástica” deixando o “realismo” de lado. Os melhores momentos ficam com a exploração espacial. Poderia ficar aqui reclamando dos “buracos” ou problemas do roteiro, mas não acho que vale a pena. O importante é que funciona dramaticamente, apesar da parte final mais problemática.
Parece que dessa vez a emoção falou mais alto que a razão e isso acabou comprometendo bastante toda a ambição do filme. O resultado ainda é positivo, mas com certeza poderia ter sido melhor. Ainda assim Cristopher Nolan continua sendo um dos melhores diretores da atualidade justamente por fazer filmes que conseguem funcionar como entretenimento de um grande Blockbuster mas que ao mesmo tempo não deixam de ser inteligentes e exigem mais da audiência.
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