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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Boa Sorte

Título Original: Boa Sorte (Brasil , 2014)
Com: Deborah Secco, João Pedro Zappa, Gisele Froés, Felipe Camargo, Cássia Kiss Magro, Edmilson Barros e Fernanda Montenegro
Direção: Carolina Jabor
Roteiro: Jorge e Pedro Furtado
Duração: 90 minutos

Nota: 4 (ótimo)

Muitas vezes as pessoas não sabem o que fazer com aquele parente que tem problemas psiquiátricos ou com drogas. Existem algumas instituições que recebem e ajudam essas pessoas, mas na maioria das vezes servem apenas para tirar o “peso” da família envolvida. O cinema já tocou nesse temas algumas vezes. “Boa Sorte”, que marca a estreia da diretora Carolina Jabor (filha de Arnaldo Jabor), toca nesse tema e apesar de não trazer nada de muito novo consegue criar uma história bonita e interessante.


Na verdade o que mais chamou a atenção do filme foi a presença da atriz Deborah Secco (Bruna Surfistinha) que se entregou bastante ao papel de uma mulher HIV positivo com uma mudança física impressionante ao emagrecer bastante. Mas ela não é a personagem principal. Iremos conhecer o drama de João (João Pedro Zappa) que é dependende químico de remédios e é deixado pelos pais na instituição para que ele possa ser “consertado”.

Ao chegar no local ele conhece Judite (Deborah Secco) e logo surge uma química entre os dois. Cada um vive seu próprio drama e ambos estão “perdidos”, mas quando estão juntos eles parecem se encontram e conseguem conviver dentro de um universo próprio da cabeça deles. Ele ainda é jovem e não conhece muito da vida, enquanto ela é um pouco mais velha e graças a doença está na fase final da vida. Um acaba sendo um pouco de esperança na vida do outro e isso é muito bem explorado pelo filme de maneira bonita e interessante.

Jorge Furtado (O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara) escreveu o roteiro junto com seu filho Pedro e mostra bastante sensibilidade ao tratar de temas tão complicados e polêmicos quanto dependência química e o vírus da AIDS. Felizmente ele consegue dar uma leveza ao criar uma história bonita e romântica mesmo com temas tão pesados.

Tudo funciona muito bem graças a química entre Secco e Zappa. Seus personagens e suas atuações são a alma do filme. Eles são tão carismáticos que vai ser difícil não gostar deles e de suas histórias, por mais “problemáticos” que eles sejam.
Talvez o filme pudesse ter ido um pouco mais fundo na questão da família de cada personagem e da relação deles, mas a história prefere focar mais na relação entre João e Judite funcionando muito bem. A resolução da trama deixa um pouco a desejar, mas para compensar temos uma pequena parte em animação que ficou bem bonita e acaba compensando.

O resultado é mais um ótimo filme brasileiro interessante em 2014, talvez o ano que eu tenha visto ótimos filmes produzidos no país. Ótima estreia da diretora Carolina Jabor com muita coragem e sensibilidade. E é bom ver atores globais como Deborah Secco apostando em papéis e filmes diferentes e desafiadores em sua carreira. O cinema do Brasil agradece.
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