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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sniper Americano

Título Original: American Sniper (EUA, 2014)
Com: Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes, Jake McDorman, Cory Hardrict, Kevin Lacz, Navin Negahban, Keir O’Donnell e Sammy Sheik
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Jason Hall
Duração: 132 minutos


Nota: 3 (bom)

É possível apreciar uma obra, no caso um filme, apesar de não concordar com que ela diz ou o seu significado? Foi a pergunta que o crítico Pablo Villaça fez no seu texto sobre o filme “Sniper Americano”, novo trabalho de Clint Eastwood. Vi esse questionamento antes de assistir o filme e após o final da sessão entendi o que ele quis dizer. A visão heroica do personagem principal do filme é muito bem construída por Eastwood, mas ao mesmo tempo é meio bizarra pelas coisas que o protagonista faz achando realmente que está fazendo a coisa certa.

Chris Kyle (Bradley Cooper de “Trapaça”) é sniper do título que entrou na história no exercito americano pelo maior número de alvos derrubados: 160 confirmados. Iremos ver um pouco da sua infância, como aprendeu a atirar com o pai, sua vida como cowboy de rodeio até que ao ver o ocorrido no 11 de Setembro resolve se alistar no exercito, ou mais precisamente no SEALs, soldados de elite dos EUA. Como sniper ele encontra sua verdadeira vocação.

O filme tenta explorar um pouco o lado psicológico do personagem e mostrar o quanto a guerra afetou a sua vida pessoal. A cada vez que ele voltava para casa parecia estar mais distante de sua família. Diversos filmes já mostraram essa influência do combate na vida dos soldados e aqui a coisa acaba ficando um pouco superficial e não explora tão bem o potencial do personagem. Ainda assim Bradley Cooper entrega uma ótima interpretação e no elenco é o único que consegue sair um pouco do caricato.

Um dos problemas do filme é como ele relata a guerra de maneira bem superficial e não explora o lado do Iraque. Isso não seria um problema se o filme não fosse baseado em fatos reais. A história até cria uma espécie de vilão que pouco aparece, é “misterioso”, sempre vestido de preto e enquanto o nosso herói não conseguir derrotá-lo ele não terá paz. Num filme totalmente de ficção isso até poderia funcionar. Como bem definiu o crítico Rodrigo Salem, parece que Eastwood transforma o sniper num tipo de herói da Marvel.

Aí eu volto para a pergunta inicial. Talvez para realmente apreciar o filme seja necessário deixar de lado a visão superficial de Eastwood sobre a guerra. E principalmente abstrair que se trata de um filme baseado em fatos reais. Assim é possível confirmar a qualidade do filme. Principalmente nas cenas de guerra onde ele mostra seu verdadeiro potencial criando cenas bem interessantes e tensas criando um bom conflito.
Eastwood já mostrou uma visão melhor sobre a guerra em "Cartas de Iwo Jima" e “A conquista da honra”, mas aqui ele parece mais interessado em explorar as cenas de guerra e o heroísmo do protagonista do que tentar entender bem o seu lado psicológico e também do próprio conflito. Ainda assim é um bom trabalho e mostra o seu talento em criar uma ótima narrativa apesar dos problemas citados.
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