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sexta-feira, 27 de maio de 2016

X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse)

Há quem diga que a terceira sequência de um filme geralmente é a pior de uma trilogia. Quando o próprio filme faz piada com isso é porque definitivamente há algo errado. É isso o que acontece em “X-Men: Apocalipse”. Os produtores parecem ter noção dos problemas do longa metragem. Em “Primeira Classe”, os heróis voltam no tempo e, de alguma forma, recomeçam o universo dos personagens. No segundo filme da sequência, “Dias de um Futuro Esquecido”, passado e futuro se misturam, juntamente com os atores das duas versões. Agora, a história continua, mas traz diversos novos personagens. O excesso de “bonecos” é um dos principais problemas do filme, à semelhança de "O Confronto Final".

Basicamente, a primeira parte do filme é encarregada de apresentar os novos personagens. Entretanto, essa introdução deixa muito a desejar, já que não há tempo o suficiente para mostrar a contento a história de cada um. Apocalipse (Oscar Isaac), o vilão, termina sendo o melhor apresentado, porém seu desenvolvimento durante a trama não é bem construído, ficando bastante irregular. Considerado o primeiro mutante da história, ele ressurge após longo tempo preso e adormecido, dentro de uma pirâmide. Sua primeira missão é convocar quatro novos “cavaleiros” para lutar ao seu lado.

Do lado do bem, temos os novos Ciclope (Tye Sheridan), Jean Grey (Sophie Turner) e Noturno (Kodi Smit-McPhee). Seus opositores são a nova Tempestade (Alexandra Shipp), Anjo (Ben Hardy) e Psylocke  (Olivia Munn). Mais seis novos personagens, introduzidos na trama de qualquer jeito e jogados na tela para desempenhar seus papéis. Ainda que a maioria já tenha estado presente em outros filmes dos mutantes, uma personagem como Psylocke fica totalmente subaproveitada. Seu papel tem apenas o propósito de fazer  alguns “números” na trama, servir de referência aos quadrinhos para os nerds de plantão, sem oferecer qualquer tipo de relevância na história.

Tanto é assim que, em determinado momento do longa, é feita uma espécie de seleção dos personagens que, de fato, importam para que a história siga para sua conclusão. É só após à péssima introdução do filme que descobrimos o que os antigos X-men andaram fazendo da vida - já que a trama se passa dez anos após os acontecimentos do filme anterior. E é aí que o filme melhora.
Mística (Jennifer Lawrence) é a personagem, que apesar das mudanças em relação aos quadrinhos, foi melhor explorada dentro do filme. Apesar de não se considerar uma heroína, ela termina se transformando em um grande exemplo para os outros mutantes. Enquanto isso, Magneto (Michael Fassbender) tenta levar uma vida  normal, porém, perde a razão ao sofrer perseguições por ser mutante, sendo facilmente convencido a “cavalgar” ao lado de Apocalipse. Claro que, como nos outros filmes, ele é explorado para propósitos alheios aos seus.

Mais uma vez Mercúrio (Evan Peters) rouba a cena e ganha um pouco mais de tempo na tela. Sua cena em câmera lenta, ao som de “Sweet Dreams”, é sensacional, ainda que, no fim das contas, ela soe bastante como uma repetição do que foi feito no filme anterior.

A escolha do elenco foi acertada, entretanto, os atores com poucos minutos de aparição, especialmente os novos personagens, ficam sem condições de explorar seus respectivos papéis. Oscar Isaac, por exemplo, chega bem perto do exagero e do caricato como vilão. E a maquiagem pesada não ajuda muito.

Parece que o roteirista, Simon Kinberg, caiu na mesma armadilha de O Confronto Final ao inserir muitos personagens para obter um filme épico. Entretanto, sem tempo para desenvolver tantas personalidades, tudo fica muito corrido e os heróis apenas surgem na telona, sem servir a grandes propósitos. O excesso de gente também dificulta o desenrolar da trama, que deixa bastante a desejar. Mesmo assim, os produtores arranjaram espaço no roteiro para algumas participações especiais. Ainda que sejam relativamente divertidas, elas não apenas não acrescentam nada à história, como prejudicam a narrativa, tornando-a arrastada e inchada.

O fato de a narrativa se passar na década de 1980 faz com que o figurino pareça um pouco “brega”, mas a caracterização da época funciona em grande parte do filme. É curioso notar que alguns personagens, como o vilão e Psylocke, mantém um visual semelhante ao exagero colorido dos quadrinhos, enquanto a maioria fica com looks mais sóbrios e básicos.

Na parte técnica, mais uma vez, o 3D é totalmente inútil e pouco explorado, servindo como desculpa para cobrar ingresso mais caro. A trilha sonora usa muito bem as músicas dos anos 80 e a música de John Ottman é bastante competente em criar o clima de ação e tensão, aproveitando o tema principal da franquia. Os efeitos visuais são bons, mas não merecem muitos elogios por serem apenas satisfatórios, proporcionando, inclusive, alguns momentos ruins.

Já na parte de ação e aventura, o filme se sai muito bem. Tais cenas acabam se tornando as mais divertidas e interessantes do longa. No fim das contas, com tanto “boneco” em cena, é bem legal ver os personagens usando seus poderes. Porém, as cenas nem chegam perto do confronto visto em “Guerra Civil”, por exemplo.

“X-Men: Apocalipse” desce de nível de qualidade dos dois últimos filmes da franquia, mas, apesar dos problemas, ainda consegue ter um resultado positivo e satisfatório. O diretor Bryan Singer pecou ao render-se aos “exageros” quando buscou fazer um filme “maior” que o anterior, mas conseguiu manter o nível básico de qualidade e entretenimento.

* Texto revisado por Elaine Andrade

Título Original: X-Men: Apocalypse (EUA, 2016)
Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Oscar Isaac, Rose Byrne, Evan Peters, Josh Helman, Sophie Turner, Tye Sheridan, Lucas Till, Kodi Smit-McPhee, Ben Hardy, Alexandra Shipp, Lana Condor e Olivia Munn
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Simon Kinberg
Duração: 144 minutos

Nota: 3 (bom)
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