propaganda

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Munique

Steven Spielberg está de volta ao cinema com o filme “Munique”. Incrível como ele consegue fazer dois filmes por ano. Vale lembrar que ano passado teve também “Guerra dos Mundos”, e que “Munique” estreou lá nos EUA ano passado também. E ele ganhou ainda mais força depois das indicações ao Oscar. Ele concorre em cinco categorias: filme, direção, edição, roteiro adaptado e trilha sonora. Juntando com as três indicações de “Guerra dos Mundos” (edição de som, mixagem de som e efeitos visuais), Spielberg conseguiu oito indicações de seus filmes. Mas quem bateu recorde de indicações foi John Willians (que sempre trabalha com Spielberg), responsável pela trilha sonora. Ele já acumula quarenta e cinco indicações, sendo que esse ano ele está indicado por dois filmes (ele também concorre por “Memórias de uma gueixa”.

Esse filme causou muita polêmica antes mesmo de sua estréia devido ao seu conteúdo. Ele fala sobre o atentado terrorista ocorrido nas Olimpíadas de Munique em 1972, quando terroristas árabes fizeram onze atletas israelenses de reféns. O episódio acabou com a morte dos reféns e também de alguns terroristas. E é justamente nesse ponto que o filme começa, narrando esses fatos com ajuda de imagens da época. Eis então que o governo de Israel resolve tomar uma atitude e vingar o ocorrido. Entra então em cena Avner Kaufman (Eric Bana, de Hulk e Tróia), que é convocado para liderar um grupo para ir atrás dos responsáveis pelo atentado.

O elenco tem atores de várias nacionalidades, para dar uma veracidade maior a história. Entre os mais conhecidos estão Geoffrey Rush (Piratas do Caribe) e Daniel Craig (que vai ser o James Bond no próximo 007).

Os israelenses e os árabes é claro, não gostaram do filme. Em compensação, a crítica americana adorou o filme, e apesar de ter sido um pouco ignorado pelo Globo de Ouro, foi lembrado pelo Oscar.

O roteiro foi baseado no livro “Vingança: a verdadeira história de um comando contraterrorista israelense”, escrito pelo jornalista húngaro George Jonas. O livro foi lançado em 1998, e agora com o lançamento do filme, foi lançado aqui no Brasil. Então para quem se interessar em saber mais sobre o fato, pode ser uma boa opção.

Spielberg é um diretor que tem em sua filmografia filmes mais sérios como “Império do Sol” e “A lista de Shindler”. Ele sempre tenta equilibrar o lado mais sério com o lado entretenimento. Afinal de contas, ele é especialista em agradar o grande público. Acontece que nesse filme ele perde um pouco a mão na narrativa. O filme acaba sendo “político” demais para um filme de entretenimento e “entretenimento” demais para um filme político. Some a isso a suas quase três horas de duração. Acaba ficando um pouco repetitivo e cansativo, com um ritmo um pouco lento e arrastado em algumas horas. Mas sim, ele consegue ser bastante imparcial com a história e tenta levantar alguma reflexão no final. O filme é bom, apesar dos problemas citados.

Essa semana a grande maioria dos indicados ao Oscar começam a estrear por aqui. Esse fim de semana estréiam “O Segredo de Brokeback Moutain” (com oito indicações, incluindo melhor filme), “Boa noite, boa sorte” (com seis indicações, incluindo melhor filme) e “Memórias de uma gueixa” (com seis indicações, mas em categorias técnicas). Então se preparem pois de hoje até a noite da premiação (dia 5 de Março), muito se falará sobre o Oscar por aqui.
Postar um comentário