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quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Dália Negra

Título Original: The Black Dahlia (2006)
Elenco: Aaron Eckhart, Hilary Swank, Josh Hartnett, Mia Kirshner e Scarlett Johansson
Diretor: Jonathan Dayton e Valerie Faris
Duração: 119 minutos

O diretor Brian de Palma resolveu fazer uma homenagem aos filmes noir ao adaptar o romance de James Ellroy “Dália Negra” para o cinema. O processo para essa adaptação chegar a ser realizada foi grande. Quem tinha assumido o projeto anteriormente tinha sido David Fincher, mas depois do fracasso comercial de “Clube da Luta” a coisa acabou não se concretizando. Fora isso ele pretendia fazer um longa de 3 horas de duração e em preto e branco. Os produtores não estavam muito felizes com essa idéia. Depois de um tempo parado, acabou caindo nas mão de Brian que fez o filme num processo meio intendente, só depois arrumando uma distribuidora.

Um outro problema era a adaptação do romance. O livro é muito complexo, cheio de histórias paralelas sem seguir muito uma linha única de narrativa. Depois do sucesso da adaptação de “Los Angeles – Cidade Proibida”, outro livro de Ellroy, a coisa parecia ser viável. No final dos anos 40 o assassinato da atriz Elizabeth Short chocou Hollywood, e baseado nesse crime verídico que a história foi criada. A atmosfera perfeita para criação de um filme noir. A época (anos 40), o mistério, as mulheres misteriosas, jogos de luz, sombra, reviravoltas, o crime, os investigadores e muitos outros ingredientes.

Justamente nesse aspecto técnico da criação de época que o filme tem sua maior qualidade. Toda a cenografia, fotografia, figurino, edição, tudo foi feito para relatar bem o clima em tom de homenagem aos filmes noir. Pena que a qualidade fique somente nesse aspecto.

O elenco do filme é um desastre. E o pior de tudo é que a maioria são bons atores, mas parecem terem sido escolhidos para os papéis errados. Começando por Josh Hartnett que não convence hora nenhuma como o detetive Dwight “Bucky”, passando por Aaron Eckhart totalmente canastrão no papel de outro policial pareceiro de Dwight, uma Scarlett Johansson totalmente sem sal e Hillary Swank muito bizarra, ambas como femme fatales.

Para completar a adaptação do livro ficou bem ruim. Em busca de uma essência básica e de uma narrativa mais linear, o roteiro assume que o espectador é burro e abusa em algumas seqüências do bom e velho flashback para quem sabe assim a gente não se perder no meio da trama.

No final fica aquela sensação de que a coisa poderia ter sido muito melhor, e claro, que existem muitas outras obras melhores do gênero. A homenagem com certeza teve uma boa intenção e foi válida, mas o resultado deixou muito a desejar.
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