sábado, 12 de setembro de 2026

Dia D (2026)

O que aconteceria se a humanidade descobrisse a existência de seres de outros planetas? A partir dessa premissa, “Dia D”, novo longa-metragem de Steven Spielberg, desenvolve sua narrativa. O diretor adora o tema de extraterrestres e já abordou o assunto de várias maneiras diferentes.

Em sua nova obra o cineasta idealizou a história, mas o roteiro foi escrito por David Koepp, que já colaborou com Steven Spielberg em outras obras como “Guerra dos Mundos” e “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. A premissa é muito boa, pois pensar em como a humanidade reagiria à descoberta de alienígenas é um tema interessante. Contudo, o roteiro de Koepp para “Dia D” é o calcanhar de Aquiles do longa-metragem. Os filmes de Spielberg são conhecidos por apresentar um tom emocional, mas a abordagem do argumento é um pouco superficial e até meio infantilizada.

A história apresenta uma corporação chamada Wardex, liderada por Noah Scanlon (Colin Firth), responsável por proteger as informações sobre extraterrestres. Hugo Wakefield (Colman Domingo), um ex-funcionário da empresa, não concorda com esse segredo, então ele lidera um grupo para roubar provas e vazá-las para a imprensa. O responsável pelo roubo é Daniel Kellner (Josh O'Connor), que era responsável pela área de cibersegurança da Wardex. A maior parte da trama gira em torno de um jogo de gato e rato entre Noah e Daniel.

No entanto, temos mais duas personagens importantes dentro da narrativa. Uma é Jane (Eve Hewson), namorada de Daniel, que está junto com ele durante a fuga. A personagem tem um passado como noviça e essa conexão com religião se torna um dos temas da narrativa. A atriz surpreende, e apesar de ter menos tempo em tela, sempre rouba a cena quando está presente. Ela tem muito carisma e uma boa química com O'Connor.

A outra é Margaret Fairchild (Emily Blunt), que trabalha como meteorologista em um canal de TV e tem uma conexão com os alienígenas. Ela é a responsável por transmitir uma mensagem enquanto apresenta a previsão do tempo, só que ninguém entende o que ela fala. A personagem de Blunt é o grande diferencial de “Dia D”. A atriz está muito bem e assume o protagonismo de maneira brilhante. O desenvolvimento de Margaret e seu poder de comunicação com as pessoas são intrigantes, rendendo os melhores momentos da trama.
É impossível negar o talento de Spielberg como diretor, e, mesmo com o roteiro irregular, sua direção é brilhante. Ele filma como poucos, mostrando habilidade e domínio de linguagem de cinema, fazendo com que tudo seja apresentado na tela com maestria. Seja um pequeno momento, como quando ele corta de uma imagem na TV da previsão de tempo chuvoso para sucrilhos sendo derramados em uma tigela, criando uma rima visual belíssima. Ou em grandes cenas, como uma perseguição de carros ou uma fuga em cima de um trem.

Para completar, o diretor ainda convenceu o compositor John Williams a compor a trilha para o filme. A parceria entre Spielberg e Williams é uma das mais longevas da história do cinema e o músico é responsável pelos maiores temas de todos os tempos, como “Tubarão”, “Jurassic Park”, “Star Wars”, entre muitos outros. O compositor entrega mais uma trilha de qualidade, que acentua bem o clima de emoção e tensão que cada cena pede.

Em síntese, apesar do problema da profundidade do roteiro, “Dia D” é mais um grande filme na filmografia de Steven Spielberg. O diretor mostra todo o seu talento com linguagem de cinema e o elenco entrega ótimas atuações. A cereja do bolo é a trilha de John Williams.


Classificação:

Título Original: Disclousure Day (EUA, 2026)
Com: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Eve Hewson e Colman Domingo
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp, história de Steven Spielberg
Duração: 145 minutos

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