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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Boa noite e boa sorte

George Clooney é um gênio! E esse ano ele finalmente foi reconhecido pelo Oscar e o seu segundo filme como diretor “Boa noite e boa sorte” recebeu seis indicações (filme, diretor, melhor ator – David Strathairn, direção de arte, fotografia e roteiro original). Dessas indicações, George concorre por duas. Além de ter dirigido o filme, ele também escreveu o roteiro ao lado de Grant Heslov (que também produziu o filme). E isso foi só por esse filme. Ele também está concorrendo ao prêmio de ator coadjuvante pelo filme “Syriana”, no qual ele ganhou o Globo de Ouro, e é o favorito na briga do Oscar nessa categoria.

Como todo mundo sabe, Clooney começou a ganhar fama com seu papel no seriado Plantão Médico (E.R.). Aos poucos ele foi entrando no mundo no cinema e fazendo papéis em filmes grandes. Então veio um filme que mudou a sua carreira, “Batman e Robin” em 1997. Foi quando ele quebrou a cara pela primeira vez e percebeu que o mundo de Hollywood era complicado. Depois de conhecer Steven Soderbergh no filme “Irresistivel Paixão”, as coisas começaram a mudar. Ele começou a escolher melhor seus papéis e começou a fazer um equilíbrio entre filmes mais interessantes financeiramente e os filmes que ele realmente queria fazer. Juntos eles montaram uma produtora independente e ainda fizeram filmes como “11 homens e um segredo”, cheio de outros astros e amigos da dupla que foi um verdadeiro sucesso de crítica e público, e depois filmes que eles queriam fazer como “Solaris”. Esse ano depois da entrega do Oscar, um novo capítulo poderá ser escrito em sua carreira.

O filme é baseado em fatos reais e conta a história do âncora do programa de tv “See it now” (veja agora) na CBS Edward R. Morrow (David Strathairn), o produtor Fred Friendly (Clooney) e sua equipe de repórteres na luta contra o senador Joseph McCarthy, que estava empenhado num caça as bruxas em busca de supostos comunistas dentro dos EUA. Então qualquer pessoa que tivesse um comportamento “suspeito” podia ser investigado como suposto comunista. Esse período histórico da história americana ficou conhecido como “macarthismo”. Nessa época a imprensa americana em geral em nada criticava os métodos e o que o senador vinha fazendo. Morrow e sua equipe foram um dos que tiveram coragem de enfrentar o senador. Isso acabou custando o seu emprego, mas deixou um bom exemplo que acabou derrotando o senador mais tarde.

O exemplo acabou sendo homenageado agora por Clooney. Mas ele tem mais motivos para isso. O seu pai também era jornalista na mesma época e sofreu também por tentar combater o senado e fazer uma imprensa livre. Esse segundo filme dele mostra que ele tem talento para direção, desde a acertada escolha do elenco como também da maneira como o filme foi realizado. A opção de realizar em preto-e-branco, consegue retratar melhor a época em que a história se passa. Outra coisa interessante é usar imagens de arquivo do senador McCarthy ao invés de convocar um ator para o papel. Talvez um ator pudesse dar um tom canastrão, caricato e “malvado” de mais ao “personagem”, mas no final das contas o próprio senador acaba sendo pior do que isso.

Apesar do fato da história ter ocorrido nos Estados Unidos, o seu tema acaba merecendo destaque universal pelo que o personagem defendia como liberdade de imprensa e o direito de discordar, além de mostrar um resgate histórico de um período triste da história Norte-Americana que foi o macarthismo. E tudo isso ainda ganha uma importância maior ao pensar que nos dias atuais, mais de cinqüenta anos depois, o governo de Bush esteja fazendo algo bastante parecido. Parece que o discurso de Edward R. Morrow continua mais atual do que nunca.

Ao contrário de “Munique” que acaba sendo longo e meio burocrático, Boa noite... é bem mais rápido e objetivo no que ele se propõe. Um filme político de verdade, digamos assim. Tanto que é até difícil em alguns momentos acompanhar todo o discurso que são disparados com muita velocidade e segurança, sem recorrer muito a explicações didáticas. Então talvez antes de ver o filme seja interessante dar uma lida básica sobre a situação na época. Acho que com o que eu falei aqui nesse texto já seja suficiente.

E como diria o próprio Morrow em seu bordão dito ao fim de cada programa, e de onde vem o título do filme, boa noite e boa sorte.
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