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segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Obrigado por fumar

É muito normal filhos seguirem o mesmo caminho dos pais nas profissões, e no cinema isso acontece bastante. É o caso do diretor Jason Reitman, filho de Ivan Reitman que dirigiu filmes como “Caça-Fantasmas” e nessa sexta estréia seu último trabalho chamado “Minha super ex-namorada”. Mas voltando ao filho, ele estréia na direção de “Obrigado por fumar”. O filme é uma comédia, mas sem seguir o mesmo estilo do pai. Digamos que ele preferiu fazer um humor mais inteligente e irônico.

Geralmente diretores estreantes optam por realizar trabalhos próprios, escrever seu próprio roteiro coisa e tal. Jason acabou escolhendo adaptar o livro de mesmo nome escrito por Christopher Buckley. Devido a seu material polêmico, o roteiro desse filme acabou passando por muitas mãos até que Jason resolveu encarar o trabalho. Usando o sobrenome conhecido graças ao pai, ele conseguiu realizar o filme com pouco dinheiro e com a colaboração de atores famosos como Katie Holmes e Robert Duvall.

Nick Naylor (Aaron Eckhart) trabalha como lobista da indústria do tabaco. Seu objetivo é convencer as pessoas de que fumar não é tão ruim quanto dizem. Para isso ele usa de todo o seu poder de argumentação e persuasão. O mais importante é sempre argumentar corretamente, sem nunca estar errado, mesmo que isso não signifique que ele esteja certo. Nesse ponto entra a questão moral, mas para ele isso é apenas um trabalho para poder pagar a sua hipoteca.

É em cima dessa ironia e da questão moral que a trama da história gira em torno. Acompanhar a vida de Nick enquanto pensa numa propaganda para aumentar a venda de cigarros, como ensina seu filho sobre seu trabalho e o envolvimento com política e a imprensa.

Vale lembrar que a história se passa antes de começar a briga das empresas de cigarro que foram proibidas de fazer propaganda de seu produto e também a pagar indenizações por danos a saúde causado a seus usuários.

A grande graça do filme são seus personagens e a ironia como o tema da guerra contra os cigarros é retratada. Na verdade acaba indo além e acaba sendo também uma crítica ao lobby feito pelo governo dos EUA, por exemplo. Mas não se preocupem pois Jason consegue manter um determinado tom para que as críticas não passem por cima das piadas, afinal de contas o filme é uma comédia e não um filme político.
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