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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Grandes Olhos

Título Original: Big Eyes (EUA, 2014)
Com: Amy Adams, Krysten Ritter, Christoph Waltz, Jason Schwartzman, Danny Huston, Terence Stamp, Jon Polito, Vanessa Ross, Emily Fonda e Stephanie Bennett
Direção: Tim Burton
Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski
Duração: 106 minutos

Nota: 4 (ótimo)

O diretor Tim Burton resolveu mudar um pouco e fazer um filme mais “comum” ao contar uma história real, algo que ele tinha feito apenas em “Ed Wood”, deixando de lado algumas colaborações constantes do elenco. Ninguém do elenco principal já tinha trabalhado com ele antes. Na equipe a única figura de sempre é Danny Elfman mais uma vez responsável pela trilha sonora.


Nos anos 50 e 60 era difícil uma mulher conseguir ter uma vida própria a não ser sendo uma dona de casa. Em “Grandes Olhos” iremos conhecer Margaret (Amy Adams de "Trapaça"), uma pintora que abandona o marido em busca de uma vida melhor para sua filha. Sua marca registrada são quadros de crianças com olhos grandes (daí o título). 

Ela acaba conhecendo Walter Keane (Christoph Waltz de "Django Livre") e decide se casar novamente em busca de segurança financeira para sua família. Ele também é pintor e sonha em viver de arte e reconhece o talento dela. Ele é bom de conversa e acaba contando uma “mentirinha” assumindo a autoria dos quadros da mulher, afinal de contas ela assinava como Keane, sobrenome dos 2. O sucesso aparece e a mentira acaba crescendo e vira “realidade”. Margaret acaba tendo que assumir a farsa mais uma vez em nome da família. Mas por quanto tempo ela conseguirá manter isso?
O filme retrata muito bem a época e a situação na qual Margaret se encontra. Ao mesmo tempo que se sente frustrada por não ter o reconhecimento por sua arte acaba se acomodando pelo sucesso do marido que da dinheiro e melhores condições de cuidar de sua filha. Muito provavelmente pelo fato de ser mulher seria difícil ela conseguir ser reconhecida no mundo da arte na época (tem algumas cenas que mostram essa dificuldade), então se não fosse pelo oportunismo do marido o sucesso não teria aparecido. É uma situação complicada e interessante que rende um ótimo filme.

Burton é fã da pintora, tem vários quadros dela e ela inclusive já pintou quadros dele. A sua arte realmente tem a cara dele então é de se imaginar porque ele gostava dela e também porque resolveu fazer um filme sobre ela. Apesar de ser uma cinebiografia comum e tradicional, ele acabou dando um jeito de deixar pelo menos a sua marca mais “surreal” ao filme em cenas que Margaret começa a enxergar as pessoas com olhos grandes iguais aos seus quadros.

No elenco o grande destaque é Amy Adams que consegue mostrar toda a timidez, o sofrimento solitário e ao mesmo tempo a força da protagonista e do amor a sua arte. Christoph Waltz está um pouco caricato como Walter, mas acaba funcionando bem para o personagem.
O resultado é uma história bem interessante e mostra que Tim Burton estava precisando mesmo de novos ares ao fazer um filme mais comum e com atores que ele não tinha trabalhado antes para se renovar um pouco. Espero que sirva de inspiração para seus futuros trabalhos já que ele é um dos meus diretores favoritos.
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