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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Nocaute

Título Original: Southpaw (EUA, 2015)
Com: Jake Gyllenhaal, Forest Whitaker, Rachel McAdams, Naomie Harris, Victor Ortiz, Curtis "50 Cent" Jackson, Miguel Gomez e Oona Laurence
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Kurt Sutter
Duração: 123 minutos

Nota: 2 (regular)

Filmes sobre queda e ascensão em esportes são repletos de clichês. Se for sobre boxe então o número aumenta ainda mais. Então qual seria o diferencial de “Nocaute”? Sem dúvidas é a presença do ator Jake Gyllenhaal no papel principal. Ele é um dos melhores atores da atualidade e sempre entrega ótimas atuações. Mas aqui nem mesmo ele consegue salvar o filme do diretor Antoine Fuqua do excesso de clichês e de drama.


Muitas vezes filmes feitos pensando apenas no personagem principal, como um estudo de personagem, conseguem sair do lugar comum mesmo com clichês se eles forem bem utilizados e o ator protagonista consiga usar todo o seu carisma e talento para disfarçar os problemas do roteiro. Infelizmente não é isso que acontece aqui.

Billy Hope, interpretado por Gyllenhaal, é um lutador de boxe que está num ótimo momento da carreira. A coisa complica quando sua esposa (Rachel McAdams) é assassinada durante uma confusão dele com outro lutador e sua vida desanda de vez. Ele perde tudo, inclusive a guarda de sua filha (Oona Laurence). Sem saber direito o que fazer ele recorre a um treinador (Forest Whitaker) para tentar colocar sua vida nos eixos novamente.

Temos então o bom e velho clichê de mostrar o personagem principal perder tudo e ir atrás de recuperar sua vida e carreira de volta tendo que fazer mudanças em seu comportamento. Isso não seria um problema se o filme conseguisse utilizar bem os clichês, mas não é isso que acontece. O roteiro de Kurt Sutter se perde no desenvolvimento da história sem conseguir construir a história de maneira convincente e interessante. Tenta então apelar para o drama, mas acaba exagerando no tom. 

Enquanto isso o diretor Antoine Fuqua tenta dar o seu toque pessoal levando uma parte da história para o subúrbio ao tentar recriar um clima parecido com o do seu filme mais famoso: “Dia de Treinamento”, só que sem sucesso. Ele mostra sua limitação e parece que ‘Treinamento’ foi um golpe de sorte.

Agora é preciso reconhecer o talento de Gyllenhaal. Ele é o único que consegue escapar das críticas aos outros envolvidos no filme. Ele faz o que pode no papel de Hope, mas não consegue salvar o roteiro de seus excessos. Mas sua atuação é muito boa e da para perceber como ele se dedicou ao personagem, principalmente na parte física. Infelizmente o esforço não adiantou.
Na parte técnica, mais especificamente nas cenas de luta, o filme até tem alguns bons momentos. Mas aí tenho que repetir novamente algo parecido que falei sobre a atuação de Gyllenhaal. Mesmo mostrando boas cenas de boxe, acaba sendo muito pouco e o roteiro não ajuda a entrar no clima e na emoção das cenas.

Se pensarmos que o roteirista Kurt Sutter se inspirou nos “dramas” da vida do rapper Eminem e que o próprio estava inicialmente escalado para ser o protagonista já da para entender que o negócio já começou errado e poderia ter sido ainda pior.
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