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quarta-feira, 1 de setembro de 2004

Eu, robô

Será que quando Isaac Asimov escreveu o livro "Eu, robô" ele pensaria que algum dia iriam transforma-lo num filme estrelado por Will Smith? Acho que esse com certeza é o principal e problema mais grave do filme. A sua atuação compromete toda a "seriedade" do filme. Suas piadinhas sem graça e fora de hora não combinam com o clime do filme em momento algum. E quando ele resolve ter seus momentos de "ator sério", impossível não conseguir ficar sem rir. Até os robôs conseguem se expressar melhor do que ele, inclusive os que o rosto não se mexe.

Mas antes o único problema fosse a simples presença de Will. O diretor Alex Proyas (de "O Corvo" e "Cidade das Sombras") tentou fazer um filme moderno, com muitos efeitos especiais, cenas em camera lenta, coisa e tal. Mas isso resultou numa breguice sem tamanho. Isso mesmo, a melhor palavra para definir o filme seria brega. Essas cenas em camera lenta são muito bizarras. Sejam elas tentando imitar Matrix ou os filmes de John Woo. Tem até uma cena imitando um clipe do U2 (da música "Zoo Station") em que a camera fica rodando em 360 graus. Ou outra cena de Will numa moto que é cópia descarada de uma cena do filme "O Alvo", de John Woo com Jean Claude Van Damme. Ridículo!

E a referência pop ao livro "João e Maria"!? Que coisa bizarra! Será que seria uma referência a Matrix que faz algumas referências a "Mágico de Oz"!? Se foi isso os caras apelaram feio! Não procedeu total. "Vá seguindo as migalhas que você encontrará a resposta." Fala sério!

Outra coisa que me incomodou bastante eram as explicações "500mb" sobre robôtica. Ou era muito queixonas ou muito forcadas ou simplesmente sem pé nem cabeça, pelo menos pra mim que sou nerd e faço faculdade de informática. Um dos temas que surge no filme é sobre o "fantasma na máquina". Bizarro! Ou uma explicação que o professor que criou os rôbos falando sobre o comportamento deles. Que existe um resto de código, não sei o que, que cria um comportamento randômico neles bla bla bla, com isso eles chegam a um comportamento parecido com o humano. Como assim? O comportamento humano é randômico!? É isso, simples assim! A diferença entre a máquina e o homem é a falta é o comportamento randômico! Gênios!

Lembram daquele filme "O Demolidor", com Sandra Bullock e Silvester Stallone? A personagem de Sandra era fascinada pelo século XX e tinha várias coisas em casa guardadas da época. Não é que o personagem de Will também tem essa coisa "retrô". Ele ainda usa um aparelho de cd player que não funciona com comando de voz, precisa de um controle remoto. Ou mais ridículo ainda, ele tem um All-star novinho modelo 2004 (e o filme se passa em 2035). Isso vira motivo pra quando ele sai na rua todo mundo perguntar, "o que é isso no seu pé?". Fala sério!

As leis da robôtica criadas por Asimov paracem ser as únicas coisas realmente tiradas do livro. A trama acaba sendo sobre robôs bonzinhos e os malvados que querem dominar o mundo. E a discussão sobre o uso de rôbos na humanidade, sobre o impacto na sociedade? Mete bala no robô e pronto, porra de discutir. Tudo bem, pode ser o objetivo do filme não fosse esse mesmo e sim ser apenas um filme de entretenimento, com efeitos especiais e ação. Mas nem isso ele consegue.
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