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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sangue Negro

Título Original: There Will Be Blood (2007)
Com: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Kevin J. O'Connor, Dillon Freasier, Ciarán Hinds e David Willis
Direção e Roteiro: Paul Thomas Anderson
Duração: 158 minutos


Nota: 5 (excelente)

Desde 2002, quando lançou “Embriagados de Amor”, que o diretor Paul Thomas Anderson não lança um novo trabalho. A demora não foi preguiça, foi o tempo que durou para escrever o roteiro e reunir o orçamento para o filme. Na verdade seu último trabalho foi ajudando o diretor Robert Altman, grande influência, a terminar seu último filme: “A Última Noite”.

Sangue Negro” é o seu quinto filme. Seu primeiro longa-metragem foi “Jogada de Risco” (Hard Eight) de 1996, mas foi com “Boogie Nights” de 1997 que ele teve um maior reconhecimento e confirmação do seu talento, inclusive com indicação ao Oscar de melhor roteiro original. Após “Magnólia” de 1999 ele me conquistou de vez como um de meus cineastas favoritos.

A expectativa para seu novo filme era grande, ainda mais depois da crítica encher de elogios e ganhar 8 indicações ao Oscar, inclusive melhor filme, além de já ter ganho alguns prêmios.

O roteiro, escrito pelo próprio Anderson, começou como uma adaptação do livro “Oil” de Upton Sanclair, mas quase nada dele foi mantido no filme. Ele escreveu pensando já em Daniel Day-Lewis para o papel. O ator aceitou o trabalho após assistir ‘Embriagados’ e realizou mais uma incrível transformação, sendo essa talvez a melhor atuação da sua carreira.

A história narra a ascensão de Daniel Plainview (Day-Lewis) que era um simples minerador, mas que tem sua vida mudada ao encontrar petróleo. Ele acaba virando um barão do petróleo do início do século 20, numa busca constante pelo enriquecimento, com muita ganância e sem nenhum pudor.

Além da incrível atuação de Day-Lewis, os recursos técnicos como fotografia e a trilha sonora dão o clima perfeito para a viagem no tempo de volta ao velho oeste para ver o lado obscuro dos negócios da exploração petrolífera. O ritmo é marcado por longas cenas para irem aos poucos construindo o personagem do racionalismo a loucura.

A trilha sonora merece um destaque maior, pois foi composta pelo guitarrista do Radiohead Johnny Greenwood. Um absurdo ele não ter sido indicado ao Oscar! A desculpa foi que a trilha continha trechos de um trabalho anterior do músico chamado “Popcorn Superhet Receiver”. Anderson já tinha feito algo parecido ao chamar a cantora Aimee Mann e o músico Jon Brion para a trilha de “Magnólia”.

É bastante visível a evolução de Anderson como diretor. Após trabalhos mais pessoais ele encara seu primeiro grande filme, com um mais épico. Uma análise interessante do desenvolvimento do capitalismo nos Estados Unidos. E podem se preparar, porque no final “there will be blood”, isto é, haverá sangue.
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