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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Viagem

Título Original: Cloud Atlas (EUA, Alemanha , 2012)
Com: Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Susan Sarandon, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Keith David, David Gyasi, Zhou Xun e Doona Bae
Direção e Roteiro: Andy Wachowski, Lana Wachowski, Tom Tykwer
Duração: 163 minutos


Nota: 4 (ótimo)

O filme “A Viagem” (tradução tosca nacional do original “Cloud Atlas”) é um projeto ambicioso realizado por 3 diretores: os irmãos Andy e Lana Wachowski, de Matrix e Speed Racer, e o alemão Tom Tykwer, do clássico “Corra, Lola, Corra”. A trama é uma adptação do livro de mesmo nome do escritor David Mitchell que parecia ser quase impossível de ser filmado graças a sua complexidade ao contar 6 histórias diferentes que de alguma forma estão relacionadas.

As histórias se passam em tempos diferentes que vão do século 19 ao 24. Elas individualmente parecem comuns, mas como um todo representam um algo mais e ganham força. Nem vale a pena tentar resumi-las separadamente, mas sua mensagem universal mostrada através de várias épocas diferentes é bem interessante. Com isso fica até difícil tentar definir qual seria o gênero da trama.

O atrativo do filme é a maneira como as histórias são narradas de forma intercaladas numa estrutura narrativa bem interessante que funciona muito bem graças ao ótimo trabalho da edição. As cenas entre as histórias são montadas de uma forma que uma meio que complementa a outra de alguma maneira, apesar de estarem falando de coisas diferentes. Visualmente funciona muito bem. No começo a coisa vai parecer um pouco confusa, mas depois de entrar na onda a história acaba fluindo bem nas 3 horas de duração.

Outro recurso interessante é a utilização do elenco. Como são 6 histórias e muitos personagens, os atores acabam interpretando papéis diferentes em cada trama. Isso acaba de alguma forma facilitando a identificação dos personagens e sua ligação entre as histórias. E tudo funciona muito bem graças ao incrível trabalho do elenco e também da equipe de maquiagem. Alguns atores mudam radicalmente de um personagem para o outro, mudando até de sexo e as vezes até de etnia. Algumas vezes alguns soam um pouco exagerados e a maquiagem atrapalha um pouco a interpretação, mas de maneira geral o recurso funciona bem.

A grande mensagem do filme é que tudo está conectado. Principalmente as pessoas que estariam ligadas de alguma forma num nível de alma, ou de alguma outra explicação a depender da sua crença. A ideia é tentar entender o motivo dos seres humanos continuarem a cometer os mesmos erros, apesar de toda a sua evolução. É um tema interessante, mas também complexo e filosófico que pode cair em reflexões meio piegas e pseudointelectuais. O filme até evitar cair nessas armadilhas, mas o resultado acaba tendo uma conclusão meio “new age” e “espiritual”.

Confesso que não são muito fã desse clima, mas ainda assim achei a história muito interessante o resultado é um ótimo filme que consegue encontrar um meio termo entre um filme de arte e conceitual com uma grande produção de Hollywood. Uma mensagem bem otimista e realizada capaz de entreter e divertir, além de fazer refletir. Afinal com diz o cartaz do filme, “tudo está conectado”.
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