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terça-feira, 15 de julho de 2014

O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford

Título Original: The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (EUA , 2007)
Com: Brad Pitt, Casey Affleck, Sam Shepard, Mary-Louise Parker, Sam Rockwell, Garret Dillahunt, Paul Schneider, Jeremy Renner e Zooey Deschanel
Direção e Roteiro: Andrew Dominik
Duração: 160 minutos

Nota: 4 (ótimo)

O título do filme “O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford” deixa bem claro sobre o que se trata a história. Mas o diretor Andrew Dominik (O Homem da Máfia) não fez um filme de faroeste comum. Ele criou um drama psicológico e contemplativo sobre a lendária figura de Jesse James (1847 - 1882), conhecido como o gatilho mais rápido do Oeste e um dos fora-da-lei mais conhecidos e procurados de sua época, e Robert Ford, um grande admirador e eventual assassino de Jesse. 


Então aos poucos iremos conhecendo os personagens. O principal da história é Robert (Casey Affleck), um jovem de 19 anos que estava entrando no mundo dos fora-da-lei e acabou entrando para a gangue de Jesse e criando uma relação bastante próxima a ele. Mas o que o teria levado a assassinar seu ídolo? Uma mistura de um pouco de medo, inveja, desejo de ser reconhecido e se tornar tão conhecido e notório quanto ele. Essas hipóteses foram levantadas pelo escritor Ron Hansen em seu livro de mesmo título do qual o filme se inspira.

O tom dramático e psicológico não funcionaria se não fosse pelo elenco. A começar por Brad Pitt como Jesse James. Ele entrega uma atuação excelente ao criar uma figura lendária que era emocionalmente instável e capaz de assustar os membros de sua gangue apenas com sua presença. E ele tentava sobreviver aos problemas da “fama” da época tendo que estar constantemente mudando de residência com sua família e sempre procurando estar bem informado para fugir do governo e de eventuais caçadores de recompensa. 

Casey Affleck (Tudo por justiça) mostra toda e ingenuidade e petulância de Robert. E nas cenas juntos eles mostram bastante química. O restante do elenco também conta com grandes nomes e ótimas participações de gente como Jeremy Renner (Os Vingadores), Zooey Deschanel (500 dias com ela) e Sam Rockwell (Lunar).

A parte técnica também merece destaque com uma excelente fotografia retratando a paisagem do velho oeste de maneira muito bonita e contemplativa com uma ótima trilha sonora que cria um clima meio sombrio em alguns momentos de forma bem interessante.

Agora talvez o ritmo da narrativa não ajude muito. Em alguns momentos soa um pouco lenta e arrastado. Mas esse era o objetivo do diretor Andrew Dominik em criar o clima mais psicológico e contemplativo no estilo Terrence Malick (A Árvore da Vida). As 2 horas e 40 minutos de duração podem parecer um pouco cansativas, mas a parte final é muito boa e acaba compensando esse problema de ritmo. 
A montagem final foi motivo de briga entre o diretor e o estúdio (Warner). A versão do diretor tinha 4 horas de duração e chegou a ser exibida em alguns festivais, mas eles conseguiram chegar num acordo já que Brad Pitt também era um dos produtores.

O interessante do filme é enxergar uma analogia dos problemas da fama da época que Jesse sofria com o mundo de hoje cheio de paparazzi e culto de celebridades. Parece que no final das contas a coisa não mudou muito ou simplesmente tenham piorado.
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