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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Entre Abelhas

Título Original: Entre Abelhas (Brasil, 2015)
Com: Fábio Porchat, Irene Ravache, Marcos Veras, Luis Lobianco, Giovanna Lancellotti, Marcelo Valle, Silvio Matos e Letícia Lima
Direção: Ian Sbf
Roteiro: Fábio Porchat e Ian Sbf
Duração: 99 minutos

Nota: 4 (ótimo)

O ator Fábio Porchat está consolidado na carreira investindo em diversos projetos na televisão, cinema e na Internet, onde junto com o diretor Ian Sbf e outros envolvidos criou o canal de videos Porta dos Fundos no YouTube. Então ao me deparar com um projeto como “Entre Abelhas” me causou uma grata surpresa. Os maiores sucessos do cinema brasileiro atual são as comédias com influência da televisão, mas felizmente existe muito mais por aí que muitas vezes não chegam ao conhecimento do grande público. Então é muito bom ver Porchat e Ian Sbf investir em algo diferente, que apesar de manter o lado cômico aponta em outras direções.


Aqui Porchat vive Bruno, um rapaz que está se separando de sua esposa e voltou a morar com a mãe enquanto os amigos tentam animar levando-o para baladas. A situação complica quando ele percebe que aos poucos as pessoas ao seu redor estão sumindo. Na verdade elas não está desaparecendo de verdade, ele que não consegue mais vê-las.

A partir desse ponto o filme talvez pudesse apelar para o humor pastelão, mas felizmente ele segue por um caminho mais corajoso num tom entre a comédia e o drama. As situações vividas pelos personagens são trágicas, mas para o espectador ela caba se tornando tragicômicas. 

É muito bom ver esse lado mais “sério” de Porchat ao mostrar um personagem que sempre tem um olhar meio triste e melancólico que vai aumentando enquanto sua situação vai piorando. 

A trama não entrega soluções fáceis e vai entrando aos poucos pistas para tentar entender o que está acontecendo com o personagem. Sua mãe, vivida por Irene Ravache, tenta ajudar de muitas maneiras e acaba tendo os momentos mais cômicos do filme. Bruno acaba indo fazer terapia e nas sessões tentamos junto com ele entender a situação.

O diretor Ian Sbf usa muito bem a situação do personagem para criar cenas interessantes. No início sempre vemos Bruno andando pela multidão e aos poucos quando as pessoas começam a sumir ficamos imaginando a situação dele sem saber se realmente existe alguém ao seu lado ou não. Porque afinal de contas as pessoas continuam lá, ele que não consegue vê-las. E isso rende ótimas situações, das mais engraçadas a também mais dramáticas e emocionantes.

A “piada” em relação as abelhas é baseada numa fato real de que em alguns lugares existem casos em que os animais estão sumindo sem nenhuma explicação. A primeira vez que eu ouvi falar disso foi numa revista do Chico Bento Moço (risos). 
Já o fato de pessoas que enxergam ou deixam de enxergar os outros já foi tema de diversos filmes, inclusive da comédia nacional “A Mulher Invisível”. Tem até algumas referências a filmes como “Preso na Escuridão” (Abre los Ojos, filmes espanhol que ganhou a versão americana “Vanilla Sky”) e “O Homem sem sombra”. 

Talvez “criatividade” não seja o forte filme, mas ele consegue criar uma história bem interessante e que surpreende principalmente ao se pensar nos envolvidos no projeto. Porchat mostra versatilidade e coragem ao criar um filme que pode decepcionar quem for esperando uma comédia besteirol, mas acaba surpreendendo por ser uma ótima mistura de drama e comédia.
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