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quinta-feira, 12 de março de 2026

Iron Lung: Oceano De Sangue

É impossível falar sobre o filme “Iron Lung: Oceano De Sangue” sem mencionar sobre sua produção. O longa, escrito, dirigido e estrelado por Mark "Markiplier" Fischbach, é baseado em um jogo independente criado por David Szymanski (recomendo ler esse review na POCILGA). Markiplier se interessou em levar essa história para o cinema, mas apesar de ser um YouTuber famoso com milhões de seguidores, não conseguiu que nenhum estúdio financiasse sua ideia. Então ele resolveu realizar o longa-metragem por conta própria com um orçamento de 3,5 milhões de dólares. Até agora, em março de 2026, o filme já arrecadou mais de 51 milhões de dólares ao redor do mundo.

Dessa forma, “Iron Lung: Oceano De Sangue” acende um sinal de alerta em Hollywood. Como pode um YouTuber sem experiência com cinema realizar uma produção tão lucrativa? Em uma época em que se gasta milhões com produção e marketing, normalmente apostando em franquias conhecidas, parece que o público está interessado em novidades.

No filme, Markiplier pega a premissa do jogo de Szymanski, mas toma diversas liberdades criativas. Afinal de contas, o game é mais introspectivo e minimalista. A história segue a mesma premissa: em um futuro distante o universo se abalou após um incidente conhecido como “O Arrebatamento Silencioso”.

Esse evento causou o desaparecimento de boa parte dos planetas e dos seres vivos. Os poucos que sobreviveram estão em naves ou estações espaciais. Sobraram alguns corpos celestes e descobriram que surgiram oceanos de sangue em algumas das luas remanescentes. O que restou da humanidade tenta encontrar um novo lugar que possa abrigar vida, então uma possibilidade está em investigar esses oceanos. Para isso é necessário enviar um pequeno submarino para explorar o local. Na falta de voluntários, decidem enviar condenados que estão presos. Caso descubram alguma coisa eles ganham a liberdade, mas o fracasso pode significar morrer dentro do veículo.

O protagonista da história é Simon, um desses condenados que tenta a sorte numa missão quase suicida dentro do submarino. Dentro do veículo não existe janela, então para se guiar ele tem um mapa e controle com coordenadas. Seu objetivo é tirar fotos de locais de interesse e dentro do submersível há um equipamento de raio-x para registrar as imagens. Além disso, existe um computador e caixas de som, sendo que através delas ele consegue se comunicar com a equipe que o enviou para a missão.

Ou seja, na maior parte do tempo temos apenas Markiplier em cena. Felizmente o realizador é hábil em construir a narrativa do filme. A história poderia facilmente se tornar algo monótono, mas ele usa recursos técnicos como fotografia e montagem para dar uma boa dinâmica para “Iron Lung: Oceano De Sangue”. Há cortes rápidos, e a câmera é posicionada em diversos ângulos para transmitir a sensação de claustrofobia dentro do submarino.

Outro ponto importante é a trilha sonora de Andrew Hulshult, que se mistura com o desenho de som,misturando temas orgânicos a sons diegéticos, criando uma atmosfera bastante eficaz. Em alguns momentos ela ressalta a tensão e em outros o mistério em torno da situação, reforçando o clima claustrofóbico da narrativa. Talvez o único ponto de ressalva é que o longa-metragem utiliza a trilha o tempo todo, sem dúvidas alguns momentos de silêncio seriam interessantes para dar um respiro.

É importante citar também o tempo de duração com 125 minutos. Com certeza o filme funcionaria melhor se fosse um pouco mais curto. Sem dúvidas aumentaria a tensão e o senso de urgência. Ao prolongar a história Markiplier parece mais interessado em mostrar sua habilidade como realizador, capaz de prender a atenção do público por tanto tempo, do que realmente mostrar algo de relevante para a narrativa.

Sem dúvida, Markiplier demonstra talento e carisma como ator, pois não é fácil segurar um filme sozinho em cena por tanto tempo. É interessante notar o questionamento que o personagem faz com o passar do tempo se aquilo que está presenciando é real ou não. Contudo, em alguns momentos ele exagera na atuação com alguns gritos que parecem mais uma dificuldade de saber como se expressar adequadamente.

Mesmo com ressalvas, o resultado de “Iron Lung: Oceano De Sangue” é interessante e no mínimo uma experiência intrigante de se acompanhar. Em meio a grandes produções, muitas vezes carentes de criatividade, é louvável ver um projeto como esse que ressalta a ambição do realizador e mostra que o público está interessado sim em filmes que fujam da mesmice.

Classificação:

Título Original: Iron Lung (EUA, 2026)
Com: Mark "Markiplier" Fischbach, Caroline Kaplan, Troy Baker, Elsie Lovelock, Elle LaMont, Mick Lauer, Seán McLoughlin e Isaac McKee
Direção: Mark "Markiplier" Fischbach
Roteiro: Mark "Markiplier" Fischbach
Duração: 125 minutos

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