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sábado, 30 de abril de 2005

Cama de Gato

Ainda existe esperança para o cinema brasileiro. De tempos em tempos (muitos raros) se consegue fazer um filme bom, ou pelo menos interessante.

Finalmente chegou aos cinemas soteropolitanos o polêmico “Cama de Gato”. Ele chegou a ser exibido em um festival de cinema por aqui em 2003, mas somente agora chega ao circuito regular.

O filme surgiu da idéia do diretor Alexandre em fazer um movimento cinematográfico independente nos moldes do DOGMA, movimento Europeu que revelou muita gente como o diretor dinamarquês Lars Von Trier (de “Dogville). A versão nacional se chama TRAUMA (tentativa de realizar algo urgente e minimante audacioso). A produção toda foi feita sem recursos de patrocinadores ou da lei do audiovisual brasileiro que não quiseram apoiar pela “polêmica” do tema abordado. E problemas também foram enfrentados na hora de exibir o filme também usando essa mesma desculpa.

O diretor acabou usando recursos próprios para realizar seu filme. Para quem estava trabalhando na produção do filme foi oferecido apenas uma ajuda de custos com alimentação e transporte. Muitos recursos modernos foram usados com a utilização de câmeras digitais para realizar as filmagens. Isso saiu por volta de 10 mil Reais, o maio custo ficou por conta depois da transposição de digital para película de 32mm para exibição em cinemas.

Na história, três jovens paulistas da classe média alta que resolvem fazer uma brincadeira. Um deles leva uma garota para o quarto e começa a transar com ela, em seguida os outros dois entram no quarto para fazer um “surubão”. A coisa acaba passando dos limites e o pior acontece, a menina acaba morrendo. A partir daí tudo começa a piorar, quando eles começam a pensar em como resolver a situação.

O elenco foi escolhido através de anúncios na Internet e o único nome conhecido é o de Caio Blat que parece realmente ter entrado no clima do filme a abraçado a idéia, mesmo que isso pudesse de alguma forma atrapalhar sua carreira. Uma atitude muita corajosa para um ator de novelas da Globo.

A cena do estupro é bastante real e pode ser comparada com a feita por Gaspar Noé no filme “Irreversível”.

O filme tem também uma parte documental. Foram feitas algumas entrevistas com jovens na rua que freqüentam os mesmo lugares que os jovens mostrados no filme. Sejam bares ou mesmo faculdades. E também alguns da classe média e também alguns de classes mais baixas. A eles eram perguntadas coisas relacionadas ao tema abordado no filme, tipo o que eles fariam na situação dos personagens. Essa é a parte mais assustadora do filme, ver que na visão deles o ocorrido no filme seria algo totalmente comum.

A conclusão é que é possível fazer um filme bom e interessante aqui no Brasil e sem precisar entrar em esquema de “filmes novela da Globo”. Agora o que não da é ter um filme desses por ano, aí complica. Ainda estamos em Maio, pode ser que até o final do ano apareça mais coisas interessantes, e espero que eles cheguem por aqui pois os filme ainda enfrentam a dificuldade de distribuição. Não são todos que tem dinheiro pra fazer uma mega-campanha publicitária como o último lançamento nacional “Mais uma vez amor” que até propaganda em ponto de ônibus colocaram.
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