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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Sicário: Terra de Ninguém (Sicario)

Título Original: Sicario (EUA, 2015)
Com: Emily Blunt, Josh Brolin, Benicio Del Toro, Jeffrey Donovan, Daniel Kaluuya, Jon Bernthal, Victor Garber e Maximiliano Hernández
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Taylor Sheridan
Duração: 121 minutos

Nota: 5 (excelente)






É impressionante como o diretor Denis Villeneuve (Os Suspeitos) consegue criar um clima de tensão com maestria em "Sicário: Terra de Ninguém". A cena no qual os personagens cruzam a fronteira do México para trazer de volta um traficante já vale o filme. Nas mãos de um diretor genérico a história teria tudo para ser um filme de ação simples focado em vingança com o tráfico de drogas como pano de fundo. Felizmente Villeneuve consegue criar um filme que fala sobre dilemas morais e o quanto pode ser feito “um pouco” fora das regras para conseguir derrotar o cartel das drogas.


Uma boa definição para o filme foi feita pelo crítico Pablo Villaça do Cinema em Cena ao dizer que é uma especie de Traffic 2.0 (lembram do filme de Steven Soderbergh). Aqui não temos o ponto de vista do usuário, mas sim dos que estão combatendo o tráfico e um pouco da visão de moradores do México.

Supostamente a personagem principal é a agente do FBI Kate Macy (Emily Blunt). Ela trabalha na investigação de sequestro de pessoas envolvendo o tráfico de drogas e é convidada para participar de um grupo para uma missão secreta comandada pelo agente Matt (Josh Brolin). O motivo dos segredos são os metódos nada convencionais de realização das operações. A começar pela presença do misterioso Alejandro (Benicio Del Toro), isso sem falar do jeito jeito de vestir (na sua 1ª aparição vemos que ele está numa reunião com outros superiores usando sandálias).

Macy acaba servindo como um tipo de bússola de moral do grupo por estar sempre questionando seus metódos e os limites e legalidade do que eles estão fazendo. Ela é a mulher do bem, como definiu Mário Bastos em seu texto na POCILGA. Aí surgem os conflitos entre ela e Matt que justifica dizendo que seu jeito de agir é necessário para conseguir fazer alguma diferença no combate. E em sua visão o jeito é mirar apenas nos chefões deixando os menores apenas como iscas.

Esse conflito entre a personagem principal feminina e o restante dos homens até poderia ter sido levada para o lado do machismo, mas o filme mostra que a personagem mulher não é tratada diferente dos outros por causa disso. A própria Blunt falou em entrevista para a Folha de São Paulo que os produtores do filme achavam que se fosse um personagem masculino eles teriam mais dinheiro, mas que felizmente o diretor e o roteirista não mudaram de ideia e mantiveram o personagem feminino. A presença de uma protagonista feminina trás elementos bem interessantes a narrativa e fazem diferença na história.

Aos poucos iremos descobrir que de certa forma na verdade o principal personagem do filme acaba sendo Alejandro. O trabalho de Benicio Del Toro com o personagem ficou excepcional. Um dos motivos é ele ter sugerido ao diretor que muitas de suas falas fossem cortadas, dessa forma o mistério em volta do seu personagem ficaria ainda maior. E isso realmente surtiu efeito por deixar suas ações e seu comportamento sempre com alguma surpresa para quem está assistindo o filme.

O filme mostra de certa forma que os metódos de combate ao tráfico de drogas utilizado pelos EUA em cima de países como o México não é muito diferente do que o próprios traficantes usam. É uma guerra sem fim que vai deixando rasto não só nos envolvidos, mas também em que está ao redor. As cidades que estão na fronteira, principalmente do lado mexicano, obviamente são as que mais sofrem. 

Felizmente Villeneuve não tenta mostrar um lado moralista ao dizer quem está certo ou errado, ou seja, se as atitudes dos personagens são ou não condenáveis. Ele mostra o conflito entre eles e mostra quais são os limites morais de cada um para lidar com a situação. Aí entra o trabalho muito bom dos atores. Ele foca justamente na humanidade dos personagens e até mesmo em personagens secundários como alguns imigrantes sendo interrogados por Alejandro tem closes para mostrar que são seres humanos que estão ali. Some isso também a uma ótima parte técnica e temos sem dúvidas um dos melhores filmes do ano. Um filme de impacto e com um senso de urgência que somente um diretor como Villeneuve conseguiria construir.
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