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quarta-feira, 14 de maio de 2008

Um Beijo Roubado

Título Original: My Blueberry Nights (2007)
Com: Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman, David Strathairn, Cat Power e Frankie Faison
Direção: Wong Kar Wai
Roteiro: Wong Kar Wai e Lawrence Block
Duração: 111 minutos

Nota: 2 (regular)

A expectativa em relação ao primeiro filme falado em inglês do diretor chinês Wong Kar Wai que estreou no festival de Cannes do ano passado era muito grande. Acabou decepcionando boa parte da crítica. O único filme dele que eu vi foi “2046 – Os segredos do amor”, do qual não gostei muito. Já ouvi falar muito bem de outro filme dele chamado “Amor à flor da pele”, mas depois de assistir a “Um beijo roubado” já não sei mais se tenho interesse em acompanhar a filmografia do diretor.

Uma boa discussão envolvendo cinema é se um diretor é ou não autoral, isto é, se suas obras contem estilo próprio e características marcantes. Sem dúvidas o diretor Wong Kar Wai pode ser considerado um diretor autoral, mas isso não quer dizer que seus filmes sejam bons. O tema de suas histórias sempre envolve o amor, a fotografia sempre é muito bonita, uso de câmera lenta, essas entre outras são sempre características marcantes de seus filmes.

O que mais chama a atenção no filme é a presença da cantora Norah Jones em sua estréia como atriz. O diretor Wong a chamou para atuar atraído por sua voz e aparência sem tê-la conhecido pessoalmente e também apesar da falta de experiência dela como atriz. Ela até está bem no filme, mas acaba sendo ofuscada pelo grande elenco ao redor formado por grandes nomes do cinema americano como Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman e David Strathairn.

Na história Norah vive Elizabeth, uma jovem que acabou de ter seu coração partido com o fim de um relacionamento amoroso. Ela acaba ficando amiga de Jeremy (Jude Law), dono de um bar no qual ela vai para afogar suas mágoas comendo torta de mirtilo (tradução de blueberry do título original). Quando começa a rolar clima, ela resolve ir embora sem destino. Ela acaba se deparando com outros personagens vividos por Strathairn, Weisz e Portman e a trama acaba virando uma espécie de “road movie”. Destaque para o personagem de Portman que vive uma jogadora de pôquer.

O grande problema do filme é que apesar de ser bem filmado e contar com boas atuações, o fraco roteiro acaba prejudicando bastante. Uma história simples contada de maneira complicada. Na tentativa de fazer um filme poético, com beleza e lirismo, a simplicidade da trama acaba deixando a desejar no objetivo de se tentar retratar um algo mais usando metáforas que acabam soando muito bobas e sem muita profundidade. Um filme bonito, mas sem conteúdo equivalente a sua beleza.

O filme tem as belezas de Natalie Portman e Rachel Weisz, tem pôquer, Smirnoff e mesmo assim não é bom. Acho que agora deu para se ter uma noção melhor (risos).

Uma coisa curiosa é que tanto o cartaz como o título em português do filme acabam sendo de certa forma um “spolier” ao estragar a “surpresa” do final. Esse título mais “fácil” e o elenco de nomes conhecidos com certeza vão levar os mais desavisados ao cinema achando que se trata de uma comédia romântica ou algo do tipo. Irão quebrar a cara com o ritmo lento e drama da história. Para se ter uma idéia, fui assisti-lo numa pré-estréia que acontece dia de segunda para jornalistas e mesmo assim ainda tiveram algumas pessoas que saíram no meio da sessão, imaginem em uma sessão normal.
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