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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Trovão Tropical

Ttulo Original: Tropic Thunder (EUA, 2008)
Com: Ben Stiller, Jack Black, Robert Downey Jr., Brandon T. Jackson, Steve Coogan e Nick Nolte
Direção: Ben Stiller
Roteiro: Ben Stiller, Justin Theroux e Etan Cohen
Duração: 107 minutos


Nota: 5 (excelente)

Ben Stiller volta a assumir a direção de um filme em “Trovão Tropical”, algo que ele não fazia desde 2001 em “Zoolander”. Ele assume também a produção e roteiro, além de atuar, dividindo a tela com Robert Downey Jr. e Jack Black. Após ter participado da série televisiva inglesa da HBO “Extras” que retrata os bastidores da indústria do cinema parece que ele teve a idéia para esse filme.

A história mostra a produção de um filme de guerra chamado “Trovão Tropical” que está com sérios problemas de orçamento e de prazo com apenas 1 semana de iniciada. O diretor (Steve Coogan) aceita então uma idéia do autor do livro que originou a história (Nick Nolte) para levar os astros do filme para o meio da selva e assim conseguir filmar com um nível maior de realismo. A confusão começa quando os atores acabam se metendo numa guerra de verdade achando que tudo faz parte da filmagem.

A idéia é mostrar esse filme dentro do filme para fazer uma sátira a indústria americana de cinema. O diretor tem que lidar com os astros. Tugg Speedman (Ben Stiller) está em crise após o fracasso do seu último trabalho e vê nesse filme a chance de conseguir finalmente ser reconhecido como um grande ator. Temos também o comediante Jeff Portnoy (Jack Black) e o premiado ator Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.).

O filme então abusa de referências a Hollywood para criticar tanto a indústria, representada pelos produtores, quanto o excesso de estrelismo de alguns astros. É justamente nesse ponto que o filme pega pesado com piadas sobre “retardados”, adoração de crianças, bichos e outras coisas politicamente incorretas, justamente para mostrar o quanto alguns atores exageram em alguns projetos pensando apenas em autopromoção. Tudo não passa de comédia, mas o tom assume tanto o lado crítico quanto o do sem noção e non sense.

Talvez um dos defeitos do filme seja seu excesso de referências, mas elas acabam sendo necessárias para poder chegar ao ponto onde se deseja criticar. Mas para um nerd de cinema como eu isso não é problema. Mesmo sem entender totalmente a referência é possível curtir e entender as piadas numa boa.

Os atores estão excelentes e obviamente quem rouba a cena sempre é Downey Jr. Seu personagem fez um tratamento para virar negro e assim interpretar melhor, numa ótima crítica ao exagero de alguns atores em busca da preparação para determinados papéis, além de estar o tempo todo “dentro” do papel. Ele e Stiller são os principais protagonistas, enquanto os outros, inclusive Jack Black, ficam com papéis mais secundários.

Outro destaque do elenco é a sensacional participação de Tom Cruise como o produtor do filme. É até difícil reconhecê-lo. Quem diria, o cara leva jeito para comédias desse tipo. Sem dúvida seu melhor papel e interpretação desde “Magnólia”. Ele tava precisando mesmo fazer algo politicamente incorreto.

Outra coisa que merece ser citada é o diretor de fotografia John Toll, responsável por filmes como “Além da linha vermelha” e “Coração Valente”. Ele garante um realismo impressionante, já que estamos em uma comédia e não num filme de guerra de verdade. Stiller conta que o convidou achando que ele não iria aceitar. Graças a isso a produção ganhou um charme a mais e também alguns milhões a mais em seu orçamento.

Algumas pessoas podem até criar grande expectativa em relação ao filme por causa dos protagonistas e da premissa da história, mas a verdade é que o filme cumpre muito bem o que promete. Talvez o besteirol com lado crítico não seja bem interpretado por alguns achando se tratar de apenas uma comédia idiota qualquer. Mas é justamente por fazer essa mistura de maneira tão boa que o filme tem suas qualidades.
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