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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Pegando Fogo (Burnt)

Título Original: Burnt (EUA, 2015)
Com: Bradley Cooper, Sienna Miller, Omar Sy, Daniel Brühl, Riccardo Scamarcio, Sam Keeley, Alicia Vikander, Matthew Rhys, Lily James, Uma Thurman e Emma Thompson
Direção: John Wells
Roteiro: Steven Knight
Duração: 101 minutos

Nota: 2 (regular)




O diretor John Wells é bom em reunir um bom elenco. Em “Álbum de Família”, seu filme anterior, ele conseguiu reunir Meryl Streep, Julia Roberts e outras estrelas. Após fazer um drama sobre família em “Pegando Fogo” ele mostra um pouco sobre o universo dos chefs de cozinha. E agora reúne um elenco ainda mais internacional estrelado por Bradley Cooper, contando também com Omar Sy (Intocáveis) e Daniel Brühl (Bastardos Inglórios).


Como é um filme sobre chefs eu totalmente recomendo que você não assista ao filme com fome. São diversos closes nas comidas para pegar todos os detalhes da sua preparação. Pelo menos como as comidas são mais “refinadas”, muitas vezes elas parecem mais bonitas do que realmente apetitosas de deixar água na boca. Além disso, ele consegue dar uma boa noção do funcionamento de uma cozinha de restautante.

A trama gira em torno do chef Adam Jones (Bradley Cooper) que após ter feito besteiras no seu passado quer voltar a trabalhar e ganhar sua 3ª estrela. Apesar de ser americano, ele morava em Paris e agora tenta a sorte em Londres. Esse seu passado é bastante nebuloso. Aos poucos o filme vai dando algumas pistas, mas na maioria das vezes se resume ao personagem dizer que fez muita merda. Isso inclui bebidas, drogas e sacanear os amigos.

Na primeira parte do filme a estrutura lembra um filme de roubo no estilo “13 homens e um novo segredo” e afins. Adam monta um plano para voltar a trabalhar. Para isso ele vai dar um jeito de assumir o restaurante de Tony (Daniel Brühl) e depois montar sua equipe formada de antigos amigos como Max (Riccardo Scamarcio) e Michel (Omar Sy) junto com novos nomes que ele vê potencial como Helene (Sienna Miller).

O problema é que o roteiro de Steven Knight (Senhores do Crime) tenta seguir uma fórmula muito básica de estrutura narrativa e acaba deixando o desenvolvimento dos personagens muito superficial. Essa parte do passado do protagonista nunca fica totalmente clara. Os personagens secundários, principalmente os antigos “amigos” de Adam, também são deixados de lado após serem basicamente apresentados. 

Isso acaba prejudicando principalmente a parte final do filme. Quando acontece uma espécie de reviravolta (que é bem bizarra inclusive) o fato do personagem secundário envolvido não ter sido bem desenvolvido faz com que o acontecimento acabe soando gratuito e sem o impacto que poderia ter causado na história e no seu protagonista.

E é justamente na parte final que o filme se perde completamente. Além de ter perdido muito tempo sem desenvolver os personagens satisfatoriamente quando chega na conclusão acaba fazendo tudo as pressas e de maneira quase “mágica”. Tem até uma cena que mostra várias coisas acontecendo num ritmo um pouco mais rápido para dar a sensação de que um determinado tempo passou e assim o nosso protagonista tenha tido tempo para aprender a sua lição de moral podendo finalmente ser uma pessoa melhor. E claro, um chef melhor. 

Inclusive durante a cena final (que eu não sabia que era a última) eu fiquei imaginando que se o filme acabasse de um determinado jeito ia ser muito bizarro. E não é que o negócio acabou exatamente do jeito que eu pensei? Cheguei até a ficar com um pouco de raiva (risos).

Na maior parte do tempo o filme passa a impressão de que os grandes chefs são verdadeira “divas” com um ego enorme que por se acharem deuses não dão ouvidos a ninguém. E a cozinha parece o programa “Kitchen Nightmares" de Gordon Ramsay com o chef gritando e dizendo para sua equipe que tudo está ruim e errado. Pode até ser que isso seja um pouco verdade no mundo real, mas da forma que é mostrada no filme não consegue soar muito verossímil.

O elenco talvez pudesse ter dado um diferencial ao filme. O diretor John Wells conseguiu em “Álbum de Família” fazer um filme apenas correto, mas que com a atuação de seus atores chegar num nível mais alto. Aqui ele não conseguiu fazer a mesma coisa. Bradley Cooper não conseguiu dar carisma o suficiente ao seu personagem para fazer com que gostássemos dele apesar de seus problemas. Já o restante dos atores ou entrega apenas atuações medianas ou simplesmente não tem tempo em cena suficiente para conseguir fazer algo interessante e desenvolver seus respectivos personagens. 

Tony, por exemplo, interpretado por Daniel Brühl. Em determinado momento é dito que seu personagem é gay. Isso é falado sem muito contexto, mas mais na frente na história essa informação é usada numa cena para causar um pouco de surpresa e um alívio cômico. Acaba soando artificial e apenas como um artifício de humor meio sem necessidade.

Esse bom humor inclusive causa alguns problemas no tom da história. O filme passa o tempo todo sem se definir se é um drama sério ou se apenas um comédia divertida com alguns momentos mais sérios. Ele não consegue achar um equilíbrio que funcione bem para a história a ser contada.
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