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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)

Título Original: Bridge of Spies (EUA, 2015)
Com: Tom Hanks, Mark Rylance, Amy Ryan, Alan Alda, Austin Stowell, Jesse Plemons, Will Rogers, Nadja Bobyleva, Sebastian Koch, Peter McRobbie, Mikhail Goreyov e Burghart Klauβner
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Matt Charman, Ethan Coen e Joel Coen
Duração: 141 minutos

Nota: 4 (ótimo)





Como sabiamente disse Mário Batos no texto sobre o filme “Ponte dos Espiões” na POCILGA: filmes de Steven Spielberg são como sexo ou pizza, mesmo quando são ruins, são bons. Seus últimos dois filmes se encaixam bem nessa frase: “Cavalo de Guerra” e “Lincoln”. Aqui o resultado é um pouco melhor, mas justamente nos pontos que o diretor tem pecado em seus últimos trabalhos que ficam os problemas. 


Ele não consegue ser muito sutil e acaba criando filmes bem burocráticos com tempo desnecessário em tela. A outra questão é o sentimentalismo. Ele costuma acertar a mão na emoção no limite do aceitável, mas parece que perdeu a mão e tem passado do ponto. Ou seja, se o filme tivesse uns 30 minutos a menos e não apelasse tanto para o lado “emotivo” o resultado seria um filme sensacional.

Agora vale ressaltar um grande ponto positivo em relação a trama. Inspirado em fatos reais, pelo menos na questão do patriotismo é curioso ver Spielberg deixou o exagero um pouco de lado. Ainda temos espaço até para um pouco de crítica em relação a política dos Estados Unidos durante a guerra fria ao comparar os métodos utilizados pelo país não serem muito diferentes da União Soviética.

Baseado em fatos reais

A história é baseada em fatos reais, fala sobre espionagem durante a guerra fria, mas ao invés de focar nos espiões a trama é focada em negociações e políticas feitas durante o período misturado com um pouco de drama de tribunal. Nesse ponto o filme acerta ao mostrar um ponto de vista pouco comum nesse gênero de filmes. Ou seja, esqueça cenas de ação e aventura ao estilo James Bond ou Jason Bourne. O mais próximo seria os filmes baseados em livros de John le Carré como "O Homem Mais Procurado" e "O Espião que Sabia Demais". Só que aqui o protagonista é um advogado e não um espião.

O personagem principal é o advogado James B. Donovan (Tom Hanks), um advogado de uma seguradora que é praticamente obrigado a realizar uma missão complicada: defender um homem chamado Rudolf Abel (Mark Rylance) que foi preso acusado de ser um espião russo. A ideia dos EUA é passar uma imagem de que o homem teria um julgamento justo, mas não é bem isso que Donovan vai encarar. 

Por ser um homem totalmente correto e idealista ele vai tentar dar a melhor defesa possível e com isso acaba virando uma pessoa odiada pela opinião pública por estar defendendo um comunista russo. Além disso terá problemas com o seu chefe e com a sua família. Mas para ele a coisa correta a ser feita vale a pena enfrentar essas situações. Vocês conseguem pensar em alguém melhor que Tom Hanks para esse papel?

Roteiro dos irmãos Coen

O roteiro escrito por Matt Charman passou por uma revisão de Ethan Coen e Joel Coen ("Onde os Fracos não Têm Vez") e é possível notar a influência dos irmãos no resultado final por contar alguns momentos meio “absurdos” e “engraçados” que lembra muito os filmes dele. E isso não comum nos filmes de Spielberg que quando trata de assuntos sério costuma levá-los a sério até demais.

Na segunda metade do filme Donovan é convocado para uma nova missão de ir em Berlim negociar a troca do espião russo que ele defendeu por dois americanos presos por lá. A situação é bem complicada já que ele vai numa missão não oficial e fala em nome dos Estados Unidos de maneira informal. Essa parte rende os melhores momentos do filme, mas infelizmente como ele se prolonga demais acaba ficando um pouco cansativo já que nesse momento você já quer que o filme termine logo. Foi como falei no início do texto, acho que com uns 30 minutos a menos esse problema poderia ter sido resolvido sem comprometer a trama.

Muito bom, apesar dos problemas

Agora vamos ao problema do apelo ao lado emotivo. Em muitos momentos a trilha sonora tenta dar um tom de grandiosidade e importância ao que está sendo mostrado na tela. Como por exemplo numa cena em que o personagem de Hanks está fazendo um discurso para o Supremo Tribunal de Justiça americano. Isso é algo totalmente desnecessário. Sem contar que a trilha de Thomas Newman parece uma imitação barata de John Williams, grande compositor e parceiro comum de Spielberg (dessa vez acho que ele tava ocupado com o novo Star Wars).

Felizmente mesmo com o problema da longa duração que torna o filme burocrático nem necessidade e com o apelo emocional exagerado principalmente com a trilha sonora, o resultado é um ótimo filme e melhor que os últimos trabalhos que Spielberg vem apresentado. Mesmo que no final das contas os problemas sejam os mesmo, aqui ele consegue ao menos fazer algo mais interessante e que funciona bem apesar dos problemas.
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