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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Descompensada (Trainwreck)

Título Original: Trainwreck  (Estados Unidos, 2015)
Com: Amy Schumer, Bill Hader, Brie Larson, Colin Quinn, John Cena, Vanessa Bayer, Mike Birbiglia, Ezra Miller, Tilda Swinton e LeBron James
Direção: Judd Apatow
Roteiro: Amy Schumer
Duração: 124 minutos

Nota: 3 (bom)





Sem dúvidas a grande atração do filme “Descompensada“ é a presença da comediante Amy Schumer. Seu humor é irônico, ácido e inteligente. Além de ser a protagonista, ela também é a roteirista. A história tem inspirações em sua própria vida e a personagem principal também se chama Amy. 

A personagem é o retrato de uma mulher jovem e moderna que tem um bom emprego e aproveita a vida. Ela é jornalista e trabalha numa revista. No caso curtir a vida para ela é sair para beber e (quase) sempre transar com um cara diferente em cada noite. Só em não mostrar uma personagem feminina na casa dos 30 anos que o objetivo principal de vida é arrumar um marido (como “Os Homens São de Marte ... e É Pra Lá que Eu Vou”) o filme já ganha bastante pontos.

Ela recebe de sua chefe (interpretada por uma quase irreconhecível Tilda Swinton por estar “normal” demais) a missão de escrever uma matéria sobre o médico esportista Aaron Conners (Bill Hader), apesar dela não saber nada sobre esportes. Eles resolvem sair para tomar um drink e acontece o que sempre acontece na vida dela, eles transam. Mas ele fica interessado e liga no dia seguinte querendo saber quando eles irão se ver novamente. Ela não sabe o que fazer.
O problema é que a partir desse ponto o filme acaba caindo nos principais clichês de comédias românticas. É como se fosse um filme do gênero só que Amy é o “homem” da história. Os dois parecem apaixonados mas será que ela vai mudar seu estilo de vida para ficar com ele?

Já o personagem masculino é como se fosse a “mulher” da história já que ele é “certinho” e vai ter problemas em aceitar o jeito “liberal” de Amy. Somente em subverter a questão do gênero já é bastante coisa para o filme já que em 2015 ainda vivemos em uma sociedade que é bastante machista. Pena que apenas nesse ponto o filme é “inovador” já que ele acaba caindo e utilizando a maioria dos clichês de comédias românticas. Mas esse não é o problema do filme.

O principal problema do filme é a direção de Judd Apatow. Nos seus dois últimos filmes: “Tá Rindo do quê?” e “Bem-Vindo aos 40” ele tem exagerado um pouco na duração da história e sempre mistura o tom de comédia com drama. No 1º a coisa funciona porque a história tem um tom melancólico ao mostrar um comediante em crise (interpretado por Adam Sandler). Mas no 2º essa “fórmula” já começa a mostrar sinais de cansaço que são comprovados aqui.

A história Amy tem também o núcleo familiar que tem seu pai, que está num asilo, e sua irmã, que casou e segue uma vida mais “tradicional”. É justamente aqui onde temos a maior parte “dramática” do filme. Em alguns momentos funciona bem, mas acaba na maior parte do tempo destoando um pouco do tom cômico e ácido. Apatow podia ter sido mais sutil ou então ter realmente explorado melhor essa parte mais “séria”. Mas não é qualquer diretor que consegue transitar entre gêneros de maneira satisfatória. Uma pena pois ele tinha conseguido algo mais próximo disso e mais interessante em “Ligeiramente Grávidos”.
Resta então ao carisma e talento de Amy Schumer em salvar o filme do lugar comum. Ela é sem dúvidas o grande destaque de “Descompensada”, mas é pouco para o potencial que a história tinha ao abordar temas como machismo, femininismo, relação entre família, entre outros que vão surgindo durante o filme. É uma pena, mas ainda assim temos bons momentos que garantem boas risadas e um bom divertimento.

Obs: Infelizmente a Universal Pictures Brasil decidiu em cima da hora não lançar o filme no cinema no Brasil (que seria lançado no dia 24 de Setembro de 2015), apesar da atriz Amy Schumer estar bastante em evidência na mídia. Uma pena essa decisão e até o momento que eu escrevi esse texto ainda não existe uma data para o filme chegar ao país em home video. E essa não é a primeira vez que isso acontece com um filme do diretor Judd Apatow. O site Judão falou mais a respeito.
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